FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Ciro diz que radicalismo do PSOL levou à eleição de Crivella como prefeito do Rio

Candidato do PDT à Presidência nas eleições 2018 também criticou o PT e participou de encontro para discutir segurança pública no Estado

Renata Batista, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2018 | 00h17

RIO DE JANEIRO - O candidato do PDT à Presidência nas eleições 2018, Ciro Gomes, disse na noite desta segunda-feira, 24, em encontro com artistas no Rio de Janeiro, que o radicalismo do PSOL elegeu o prefeito da cidade, o bispo da Igreja Universal Marcelo Crivella. Ciro não fez comparação direta com o cenário de forte polarização que se desenha na atual disputa presidencial, na qual ele perdeu força com a entrada do candidato petista Fernando Haddad (PT), de acordo com as pesquisas, mas afirmou que a falta de união pode derrotar a esquerda.

"Eu brinco com meu amigo Freixo (Marcelo Freixo, candidato derrotado do PSOL na eleição do Rio em 2016) que eles vão ficar muito limpos, puros, intransigentes e não vão colocar a mão na massa. Mas, dessa vez, se eles (a direita) ganharem, arrebentam com a nação brasileira", afirmou.

O encontro lotou o Teatro Vannucci, na Gávea, Zona Sul do Rio, e reuniu nomes como Caetano Veloso, Cacá Diegues, Ney Matogrosso, Alcione, Guel Arraes, Domingos Oliveira e Marcelo Yuka. Foi a quarta agenda de Ciro na cidade no dia. Antes, ele havia estado em Madureira, no Clube de Engenharia e em encontro fechado com especialistas da área de segurança.

Ao ser questionado sobre a postura do PT em relação a sua candidatura, o pedetista, que mais cedo havia reclamado dos ataques do partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – condenado e preso na Operação Lava Jato – à sua campanha, afirmou que não ficaria de "mimimi". "Quem entra na luta, não pode estar com mimimi", respondeu.

Perguntado por que havia escolhido Kátia Abreu como vice nas eleições 2018, Ciro culpou a estratégia de isolamento que o PT lhe impôs.

"A culpa foi do PT. Estava procurando uma vice em uma aliança com PCdoB e PSB quando o PT me transformou em inimigo e tive que buscar no meu partido", afirmou, antes de defender Kátia Abreu, que não estava presente no encontro.

"Eu escolhi uma vice que é diferente de mim, que tem sua própria história, mas que compartilha valores importantes comigo. Agora, quem quiser uma chapa pura, sem diferença, pode votar no Boulos", completou.

Ciro Gomes reclama de ataques do PT

Mais cedo, com um discurso recheado de críticas ao PT, Ciro Gomes deu palestra no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro e disse que ou a esquerda faz uma autocrítica ou o Brasil será governado "pela pior direita". O pedetista frisou o apoio que deu aos governos de Lula e Dilma e reclamou dos ataques que vem sofrendo do PT na campanha, motivados, segundo ele, "por um micro projeto de poder".

"Recebi mil convites para deixar a política, mas me sinto entusiasmado e gravemente responsável por salvar o Brasil dessa dança macabra, à beira do abismo, para a qual estamos sendo, como nação, convidados", declarou.

Segundo ele, o PT surfou a onda da economia mundial antes da crise de 2010, mas errou na condução da economia e da política. A condução econômica no governo petista, afirmou, "desmoralizou" a esquerda no país. "A concentração bancária aconteceu fortemente nas mãos da esquerda no poder. Temos uma nação em que todo mundo que produz e todo mundo que trabalha está sendo espoliado pelos bancos", disse.

Para o candidato, PT e PSDB atuaram de forma muito parecida na política e na economia. Ele reclamou que votou nos ex-presidentes Lula e Dilma em todas as eleições e que apoiou a ex-presidente no impeachment e, agora, vê o candidato do PT abraçado com Eunício Oliveira (MDB-CE) no Ceará. "É muito duro. Tenho 60 processos do Eunício nas costas", completou, depois de lembrar que seu irmão, Cid Gomes, perdeu o cargo de ministro da Educação no governo Dilma após brigar com Eduardo Cunha para defender a presidente. "Para defender a Dilma, meu irmão confrontou com o Eduardo Cunha e o PT ficou do lado do Cunha", disse.

Candidato discute segurança do Rio

O candidato do PDT também disse que está desenhando um plano de segurança específico para o Rio de Janeiro. Ele criticou a atuação das Forças Armadas no Estado e defendeu o uso de inteligência para enfraquecer o crime organizado. “Já tenho um plano de segurança, mas estou aprofundando para especializar para o Rio de Janeiro. A intervenção termina dia 31 de dezembro e vai acabar com números muito frustrantes. Nós precisamos oferecer ao povo do Rio de Janeiro, que é a cara do Brasil, uma alternativa concreta”, disse o candidato, que teve um encontro reservado com especialistas em segurança do Estado. 

Na avaliação do pedetista, o Rio precisa se infiltrar nas organizações criminosas e mapear o caminho do dinheiro. “Precisamos tirar essa ilusão de que aparato vai resolver o problema. O que vai resolver é infiltração, espionagem, saber a trilha do dinheiro”, defendeu.

Ciro atribuiu o uso do Exército à pressão externa. Afirmou que o treinamento das Forças Armadas é para enfrentar e matar o inimigo. “É um equívoco grosseiro que os norte-americanos estão impondo aos países que periférico”, afirmou. “A segurança têm tem que coibir a delinquência e formar culpa para que a justiça possa punir”, completou. 

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