Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Temas nacionais marcam debate de candidatos ao governo de São Paulo

Referências a presidenciáveis, a Temer e a Lula dividem espaço com propostas dos candidatos para a gestão do Estado; Doria e Skaf protagonizam embates

O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2018 | 20h41

No debate com os candidatos ao governo de São Paulo nas eleições 2018, promovido neste domingo, 16, pelo Estado, em parceria com TV Gazeta, Rádio Jovem Pan e Twitter, as propostas para o Estado dividiram espaço com as referências à eleição presidencial e à política nacional. Líderes nas pesquisas de intenção de votoPaulo Skaf (MDB) e João Doria (PSDB) foram provocados a falar, respectivamente, sobre o presidente Michel Temer e o presidenciável tucano Geraldo Alckmin, que pouco ou nada aparecem nos seus programas eleitorais.

Luiz Marinho usou o encontro para pedir votos para o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, e voltou a defender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – condenado e preso na Operação Lava Jato. Rodrigo Tavares (PRTB) também aproveitou para fazer elogios ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). 

Participaram do debate ainda os candidatos Márcio França (PSB), Lisete Arelaro (PSOL) e Marcelo Cândido (PDT).

No segundo bloco, os “padrinhos políticos” de Doria e Skaf foram o tema de embate entre os candidatos do PSDB e do MDB. Doria foi questionado se não confia nos dividendos eleitorais de Alckmin e, por isso, o ex-governador está ausente de seu horário eleitoral. 

Doria provocou novamente Skaf por este ser do partido de Temer. Ao responder uma pergunta sobre sua relação com Alckmin, Doria disse: “Não temos motivação para escondê-lo. É meu candidato”. Ao comentar, Skaf afirmou que não tinha padrinhos na política. “Entrei para servir. Não para ser servido. Isso não dá certo no Brasil”, disse. Doria, então, partiu para o ataque. “Temer é seu padrinho e não sei porque esconder. É presidente de honra de seu partido. Alckmin é presidente do partido e é meu candidato. Não sei porque você esconde que é o candidato de Temer.”

“Não temos motivação para escondê-lo. É meu candidato. Tenho orgulho das conquistas do PSDB em São Paulo”, disse o tucano, acrescentando que “tudo pode ser ainda melhor” no Estado. “Queremos melhorar as políticas públicas na educação, na segurança, aumentar a remuneração, melhorar a saúde pública, a geração de empregos”, afirmou ele.

Conforme a mais recente pesquisa Ibope, Skaf tem 22% das preferências, contra 21% do tucano Em terceiro, com 8%, aparece França, que tenta a reeleição.

A candidata do PSOL, Professora Lisete, não fez a defesa do presidenciável de seu partido, Guilherme Boulos, mas atacou Bolsonaro. “Mais de 2 milhões de mulheres estão mobilizadas contra Bolsonaro. Nós sabemos que temos de nos unir e ocupar a política”, disse a candidata. 

Antes, Tavares foi provocado pelo jornalista Rodolpho Gamberini, da TV Gazeta, que, ao questionar o candidato, disse que o lema de Bolsonaro é Brasil acima de tudo e que, em alemão (Deutschland über alles), a frase é uma ofensa. “Só os nazistas usam essa frase. Que outros conceitos seu candidato tem com os nazistas?”

 

Na resposta, o candidato do PRTB afirmou que a candidatura de Bolsonaro “significa renovação no Brasil.” “Bolsonaro se propõe a renovar. Não temos rabo preso, sem processos, ficha limpa”, afirmou. Em seu comentário, Marcelo Cândido, do PDT – que replicou no debate o discurso do presidenciável de seu partido, Ciro Gomes, contra a polarização PT e PSDB –, reforçou as críticas ao presidenciável do PSL. “Bolsonaro representa uma ameaça para o País. Coloca em risco avanços. Ataca negros, mulheres, indígenas. Desrespeita a civilização.”

O debate lotou o auditório da TV Gazeta. Com um mês de campanha, e uma disputa acirrada pelo primeiro lugar na disputa, apoiadores dos candidatos fizeram diversas manifestações durante pouco mais de duas horas de debate. /ADRIANA FERRAZ, GILBERTO AMENDOLA, PEDRO VENCESLAU, CARLA BRIDI, RICARDO GALHARDO e PAULA REVERBEL 

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