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Bolsonaro tem embate com Renata Vaconcellos no Jornal Nacional

Em entrevista ao ‘Jornal Nacional’, candidato do PSL discute com âncoras e fala em ‘casamento’ com Paulo Guedes

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2018 | 22h19

Na segunda entrevista com os presidenciáveis promovida pelo Jornal Nacional, da TV Globo, o candidato do PSL à Presidência, deputado Jair Bolsonaro (RJ), teve na noite desta terça-feira, 28, um embate com os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos, em uma sabatina marcada por momentos tensos. Quando questionado sobre suas declarações relacionadas a gays, mulheres e direitos trabalhistas, o presidenciável subiu o tom e tentou se desvencilhar de rótulos. 

O primeiro embate ocorreu quando os âncoras lembraram de uma frase de Bolsonaro em um programa de TV: se ele fosse empregador, não daria emprego a mulheres com os mesmos salários pagos a homens. 

A princípio, o candidato tentou negar que tivesse feito a afirmação, mas, em seguida, mudou de estratégia. 

“Estou vendo aqui uma senhora e um senhor. Não sei ao certo, mas com toda certeza há uma diferença salarial aqui. Parece que muito maior para ele do que para a senhora. São cargos semelhantes, são iguais”, disse Bolsonaro. 

A jornalista respondeu na sequência. “Vou interromper vocês dois. Eu poderia como cidadã fazer questionamentos sobre seus proventos, porque o senhor é um funcionário público, deputado há 27 anos. Eu, como contribuinte, ajudo a pagar o seu salário. O meu salário não diz respeito a ninguém. Posso garantir ao senhor, como mulher, que eu jamais aceitaria receber um salário menor que o de um homem que exercesse as mesmas funções e atribuições que eu”, disse Renata. 

'É quase um casamento', diz Bolsonaro sobre Paulo Guedes

Em outro momento, Bonner abordou Bolsonaro sobre a condução da economia, caso seja eleito, ao perguntar se ele seria refém do economista Paulo Guedes – auxiliar do candidato e que é apontado como seu ministro da Fazenda.

“É quase um casamento. Estou namorando o Paulo Guedes faz algum tempo, e ele a mim. Até o momento da nossa separação, não pensamos em uma mulher reserva para isso. Se isso vier a acontecer, por vontade dele ou minha, paciência.”

Bolsonaro também foi questionado sobre proposta que prevê a abertura ou manutenção de empregos a partir da retirada de direitos trabalhistas, mas ele não informou quais direitos seriam retirados, na hipótese de ser eleito à Presidência. 

“A classe empregadora tem dito: um dia o trabalhador vai ter de decidir. Menos direito e emprego ou todos os direitos e desemprego”, respondeu ele.

Sobre o fato de ter votado contra a PEC das Domésticas, que deu mais direitos à categoria, o candidato se justificou dizendo que a mudança levou “milhões” de pessoas a serem diaristas. 

“Muitas mulheres perderam emprego pelo excesso de direitos. Muita gente que dormia no trabalho, agora não dorme mais. Muita gente que chegava cedo para fazer o café para os patrões, não chegam mais para não contar aquele tempo em serviço. Perderam o café da manhã e pernoite”, afirmou o presidenciável do PSL.

Ditatura militar também é tema da entrevista de Bolsonaro no JN

Os entrevistadores também abordaram declarações do general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, de que seria necessário "impor uma solução" por meio dos militares em caso de "caos" no País.  Nesse momento, o deputado respondeu com uma provocação: relembrou o apoio editorial de Roberto Marinho (1904-2003), fundador da TV Globo, ao regime militar.

Em outro bloco do JN, Bonner leu nota em que a Globo confirma a posição de Marinho, mas diz que o jornal O Globo, em editorial, que o apoio à ditadura foi um erro.

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