Adriano Machado e Rodolfo Buhrer/Reuters
Adriano Machado e Rodolfo Buhrer/Reuters

Bolsonaro e Haddad têm mais votos convictos

Pesquisa CNI/Ibope indica que 55% dos eleitores do candidato do PSL e 49% de petista não vão mudar escolha; Marina apresenta pior resultado

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2018 | 05h00

Além de mostrar estabilidade na corrida presidencial nas eleições 2018, com Jair Bolsonaro (com 27% das intenções de voto) e Fernando Haddad (com 21%) nas duas primeiras posições, a pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quarta-feira, 26, trouxe diversos indícios de que, nos dez dias da reta final da campanha, será difícil haver transferência de votos para um candidato do segundo pelotão.

Os dois primeiros colocados são os que têm maior porcentual de voto convicto, e também são os mais aprovados por seus próprios eleitores. Os partidários dos presidenciáveis do PSL e do PT são ainda os que menos admitem mudar de opção para evitar um desfecho eleitoral que os desagradaria. Por fim, a expectativa de vitória de qualquer concorrente de ambos é, neste momento, considerada muito baixa.

O levantamento encomendado pela Confederação Nacional da Indústria foi feito quase ao mesmo tempo que a mais recente pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, divulgada nesta segunda-feira, 24. O resultado foi parecido: Bolsonaro e Haddad oscilaram um ponto para baixo, Ciro Gomes (PDT) variou um ponto para cima (saiu de 11% para 12%), Geraldo Alckmin (PSDB) manteve os 8% e Marina Silva (Rede) passou de 5% para 6%.

Bolsonaro e Haddad têm as maiores taxas de eleitores convictos: 55% e 49% de seus respectivos simpatizantes. Nas últimas duas semanas, houve um aumento de nove pontos porcentuais na parcela dos eleitores de Haddad que dizem que a decisão de voto é definitiva. No caso de Marina, essa taxa caiu de 29% para 22%. Os índices dos demais candidatos, de acordo com a sondagem do Ibope, ficaram estáveis.

Metade dos eleitores de Marina e de Alckmin diz que a intenção de voto declarada “é uma escolha do atual momento, que durante a campanha poderá mudar” ou que “é apenas uma preferência inicial”. Os dois concentram a maior parcela de eleitores sem convicção na hora de escolher seu candidato à Presidência da República.

Explicações para convicção em Bolsonaro e Haddad

 O Ibope procurou saber dos entrevistados o motivo de sua escolha, e detectou que, no caso de Bolsonaro e de Haddad, cerca de seis em cada dez de seus eleitores afirmam que gostam do candidato e apoiam suas ideias. 

Outras opções apresentadas pelo Ibope aos entrevistados foram: “gosto do candidato, mas tenho dúvida com relação a algumas ideias dele”; “gosto do candidato, mas ainda não conheço as ideias dele”; “gosto das ideias do candidato, apesar de não gostar dele pessoalmente”; “apenas apoio esse candidato porque não gosto dos outros candidatos”; “apenas apoio esse candidato porque o que gosto não tem chance de ganhar”.

Na comparação de todos os presidenciáveis, Marina é a que se saiu pior: apenas 36% de seus eleitores afirmam gostar da candidata e de suas ideias, e 22% dizem que a apoiam por não gostar dos concorrentes.

Dos eleitores de Alckmin, 14% afirmam gostar dele, mas sem conhecer suas ideias. É a taxa mais alta entre todos.

Possibilidade de voto útil

Cerca de três em cada dez eleitores dizem ser “alta” ou “muito alta” a probabilidade de deixar de votar no candidato de sua preferência para evitar a vitória de um adversário do qual não gostem. Mas essas parcelas não se distribuem de forma homogênea entre os distintos eleitorados.

Os que pretendem votar em Bolsonaro, líder da corrida presidencial desde o início oficial da campanha, são os menos dispostos a mudar de candidato para evitar a vitória de outro do qual não gostam ou para apoiar algum com mais chances de ganhar. Os números de Haddad também indicam pouca chance de migração.

O candidato do PSL é o que carrega a maior expectativa de vitória: 44%. A seguir, de acordo com o Ibope, vem Haddad, com 20%. Nesta mesma comparação, a soma da expectativa de vitória de Ciro, Alckmin e Marina é de apenas 18%.

A pesquisa foi feita entre os dias 22 e 24 de setembro, com 2.000 eleitores de 126 municípios. A margem de erro máxima estimada é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi feito sob o protocolo BR-04669/2018. 

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