Nilton Fukuda e Wilton Junior/Estadão
Nilton Fukuda e Wilton Junior/Estadão

Bolsonaro anuncia nomes de três ministros em eventual governo

Paulo Guedes (Fazenda e Planejamento), general Heleno (Defesa) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil) foram indicados por candidato durante evento com parlamentares

Fernanda Nunes, Constança Resende e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2018 | 17h03
Atualizado 12 Outubro 2018 | 14h03

RIO - O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) anunciou nesta quinta-feira, 11, três futuros ministros caso seja eleito. Durante um encontro do partido em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio, ele indicou o economista Paulo Guedes como seu ministro da Fazenda e do Planejamento; o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), seu principal articulador no Congresso, para a Casa Civil; e o general Augusto Heleno na Defesa

“Num primeiro momento, tive que convencê-lo, mas ele, como bom militar, aceitou de pronto”, disse o candidato sobre Heleno. Bolsonaro afirmou que ainda não se definiu sobre nomes para os outros ministérios. “Temos de esperar com prudência o dia 28 de outubro, onde podemos ter a certeza de anunciar nomes”, disse, se referindo à data votação em segundo turno – que disputa com o candidato do PT, Fernando Hadad

O candidato petista, por sua vez, tenta atrair Joaquim Barbosa e Josué Gomes para sua campanha. Na noite de quarta-feira, 11, Haddad se encontrou com o ex-ministro do Supremo e a visita gerou uma onda de especulações sobre a possibilidade de Barbosa ser convidado para assumir o Ministério da Justiça, em um eventual governo petista.

Em entrevista à rádio CBN, também nesta quinta-feira, 11, ao ser questionado sobre eventual participação feminina em cargos do Executivo caso seja eleito, Bolsonaro disse que é possível ter um ministério com gays, mulheres e negros.

Segundo produtores do evento, a convenção juntou cerca de 150 parlamentares eleitos do PSL e apoiadores. A reunião no Hotel Windsor Barra, na zona oeste da capital fluminense, durou cerca de vinte minutos e foi fechada à imprensa. Depois, Bolsonaro foi para outro salão onde respondeu durante 25 minutos a perguntas de repórteres. A sala onde aconteceu a coletiva foi tomada por apoiadores, que reagiam com aplausos a cada resposta dada por Bolsonaro e hostilizavam jornalistas.

Uma das sete perguntas que Bolsonaro respondeu foi se ele daria apoio do partido em disputas de segundo turno para governos estaduais. Ele disse que seu partido vai manter a neutralidade, com exceção daqueles em que o PSL está no páreo. 

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“Essa é a missão mais importante. Nas disputas estaduais onde tem candidato nosso, vamos nos empenhar. Nos demais Estados, vamos partir para a neutralidade. Afinal de contas, meu objetivo é 17, o nosso número para que possamos mais do que repetir a última votação e garantir a nossa eleição”, afirmou à plateia.

Após polêmicas, General Mourão não comparece ao evento

Autor de declarações polêmicas, candidato a vice-presidente de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, não compareceu ao evento. Ao Estado, Mourão, do PRTB, disse que não foi ao evento porque tinha uma reunião “com companheiros” de sua turma da Academia Militar das Agulhas Negras, que aconteceu também no Rio. 

Na coletiva de imprensa, Bolsonaro voltou a defender o candidato a vice em sua chapa, dizendo que sua fala sobre o 13º salário (ele classificou o direito trabalhista como uma jabuticaba, ou seja, algo que só existe no Brasil) foi mal compreendida e que, em vez disso, seu vice propõe o pagamento do benefício no programa social Bolsa Família. A ideia, segundo Bolsonaro, já teria sido aprovada também pelo assessor econômico Paulo Guedes.

O anunciado ministro da Fazenda e do Planejamento foi outra ausência notada no evento. Um dos representantes da campanha, o deputado federal e senador eleito Major Olímpio (PSL-SP) disse que o economista não foi porque o evento era apenas para parlamentares eleitos.

O deputado federal Onyx Lorenzoni defendeu Paulo Guedes, em quem disse que Bolsonaro confia “absolutamente”, mas não “cegamente”. “O (candidato a) presidente (Jair Bolsonaro) é inflexível nesses assuntos. O presidente confia absolutamente, não cegamente, porque ele não é cego, no professor Paulo Guedes. Paulo Guedes é um homem que tem uma história no Brasil de êxito com decência. Desconfio de que só agora, à beira da eleição, aparece essa história. Por que não apareceu antes? É a grande pergunta”, afirmou Lorenzoni, após a reunião de Bolsonaro com a bancada do PSL e parlamentares eleitos por outros partidos que o apoiam.

O Ministério Público Federal do Distrito Federal abriu um procedimento para investigar operações envolvendo dinheiro público de fundos de pensão de estatais e fundos de investimento operados por Guedes. 

Em relação ao apoio parlamentar para aprovar propostas do eventual governo Bolsonaro, Lorenzoni disse que, a partir de 29 de outubro, “se o povo brasileiro decidir”, a equipe do candidato do PSL começará a trabalhar para colocar em prática os “conceitos” do programa de governo.

Bolsonaro indica que não irá a debates

O candidato do PSL indicou que poderá não participar de debates com Haddad, seu oponente no segundo turno. Bolsonaro, que, por ordem médica, terá de ficar fora dos confrontos até o dia 18, admitiu que considera a possibilidade de, mesmo liberado, não debater com o petista. “Existe a possibilidade sim (de não ir a nenhum debate), estratégica.”

O presidenciável do PSL está afastado da campanha de rua desde 6 de setembro, quando foi esfaqueado durante uma agenda eleitoral na cidade mineira de Juiz de Fora.

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