Reprodução/Twitter Jair Bolsonaro
Reprodução/Twitter Jair Bolsonaro

Previsão de alta de Bolsonaro é adiada após contaminação de cateter

Informação foi confirmada pelo médico do candidato, que ainda pode deixar hospital neste fim de semana

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2018 | 17h28
Atualizado 28 de setembro de 2018 | 12h49

O candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, teve a alta adiada depois que foi identificada uma contaminação do cateter colocado em seu braço. O médico que trata o presidenciável no Hospital Albert Einstein, Antônio Luiz Macedo, disse ao Estado que a bactéria encontrada foi um “germe simples de pele, de fácil tratamento”. Segundo ele, Bolsonaro está tomando antibióticos “por segurança”, mas deve ter alta neste sábado, 29. 

Anteriormente, havia a previsão de que o candidato deixasse o hospital nesta sexta-feira, a pouco mais de uma semana do primeiro turno das eleições.

Nos últimos dias, ele já se alimentava, caminhava e fazia postagens em redes sociais. O boletim médico divulgado nesta quinta-feira, 27, à tarde pelo Einstein não mencionava a complicação. O texto dizia que o paciente apresentava “boa evolução clínica”, não tinha dor nem febre. Afirmava ainda que os exames laboratoriais estavam estáveis.

Segundo Macedo, a contaminação aconteceu “sem repercussão para o paciente e não há infecção”, mas os antibióticos foram dados porque os germes encontrados no cateter estavam na pele do próprio Bolsonaro.

Infecções em unidades de saúde no Brasil atingem entre 2% e 10% dos pacientes, o que varia de acordo com o hospital, segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Entre os casos em que há infecção, de 10% a 15% acontecem pelo cateter. Bactérias da pele, tanto do próprio paciente, como do profissional que o manipula, podem infectar o cateter. 

Sempre que o acesso é retirado, os hospitais fazem exames na ponta do cateter, que fica em contato com o sangue, para saber se ela está contaminada. Ao constatar a contaminação, é preciso saber se a infecção chegou ou não à corrente sanguínea do paciente. 

De acordo com o diretor da SBI, Marcos Cyrillo, a bactéria detectada não está entre as que mais oferecem resistência a tratamento. Ele disse ainda que as bactérias de pele são comuns e os remédios para combatê-las, facilmente encontrados. Mas a possibilidade de ela estar circulando na corrente sanguínea, após entrar pelo cateter, exige monitoramento constante. 

Na maior parte dos casos, diz o médico, a alta é evitada porque é necessário acompanhar a resposta ao tratamento. “Como você vai precisar dar antibiótico na veia desse paciente, ele não vai poder ir para casa porque essas infecções são potencialmente graves. A bactéria está no sangue circulando e você não sabe qual será a resposta do organismo.”

De acordo com o infectologista, há fatores de risco como perda de sangue, trauma das cirurgias e a alimentação limitada, que podem dificultar o processo. O tratamento para infecções sanguíneas, segundo Cyrillo, costuma variar de 14 a 20 dias, de acordo com o tipo de bactéria e a resposta do paciente.

Bolsonaro foi esfaqueado no dia 6 por Adelio Bispo de Oliveira, durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Ele foi atendido inicialmente na Santa Casa da cidade, onde foi operado. O deputado foi submetido a um procedimento chamado de colostomia, em que uma bolsa externa passa a coletar as fezes. 

Em seguida, o presidenciável foi transferido para o Einstein, em São Paulo. No dia 12, ele teve de fazer uma segunda cirurgia de emergência porque foi detectada um obstrução intestinal. Segundo médicos especialistas ouvidos pelo Estado, se não houver complicações, o candidato só estará plenamente recuperado em um prazo de 4 a 6 meses. Bolsonaro terá de passar por uma terceira cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia. / COLABORARAM CONSTANÇA REZENDE e  TULIO KRUSE

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