Jonathas Cotrim/Estadão
Jonathas Cotrim/Estadão

Anastasia ataca despreparo e Zema menciona Aécio Neves

Debate na Globo tem clima tenso entre os candidatos ao governo de Minas Gerais

Jonathas Cotrim, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2018 | 00h34

BELO HORIZONTE – O último debate na televisão antes do segundo turno entre os candidatos ao governo de Minas Gerais, Antonio Anastasia, do PSDB, e Romeu Zema, do Novo, nesta quinta-feira, 25, na Rede Globo Minas, foi marcado por uma dura troca de críticas entre os postulantes. Logo no primeiro bloco, o senador atacou a falta de preparo do empresário, enquanto Zema tentou associar Anastasia ao deputado federal eleito Aécio Neves

O cenário do encontro entre os candidatos, de acordo com a última pesquisa Ibope, divulgada na terça-feira, 23, indica a liderança com ampla vantagem de Romeu Zema, com 67% dos votos válidos, enquanto Anastasia apresentou 33%.

Na primeira pergunta Anastasia questionou se Zema estava preparado para assumir o governo de Minas. “Ano passado ele deu uma entrevista e se disse despreparado. Não conhecemos as propostas do candidato Zema”, disse. O candidato do Novo respondeu criticando o plano do governador dizendo que tinha propostas “genéricas”. 

Em diversos momentos, o senador questionou o fato de Zema ser empresário. “Com ele, é a vontade do dono, é um menino mimado. Ele quer vender o Estado e não vamos deixar Minas ser vendida”, afirmou ao criticar propostas de privatização do candidato do Novo, que também foi alvo das críticas do senador. “Seu partido (Novo) é de ricos e quer levar propostas e governar para ricos. Os pobres que se lasquem”, afirmou. 

Apesar de afirmar que Zema faria “um governo para ricos”, Anastasia negou que fosse uma estratégia para conquistar votos de eleitores de esquerda. “Eu não estou inventando nada, são propostas privatizantes e eu discordo. Sou liberal na economia, mas a parte social é função do Estado”, declarou.

Em suas perguntas, Zema questionou os feitos de Anastasia e lembrou que o senador foi vice-governador na gestão de Aécio Neves, entre 2006 e 2010, e apresentou dados que indicavam aumento nas taxas de homicídios nos governos do PSDB. Anastasia disse que Minas recebia muitos criminosos de outros Estados e aproveitou para criticar a proposta de Zema de usar empresas privadas para segurança no campo.

Logo que o debate se encerrou, a campanha do empresário usou o Twitter para criticar uma fala de Anastasia, que afirmou ter medo de andar de helicóptero. “Quando o senador Anastasia fala de helicóptero, isso te lembra alguma coisa? Eu só consigo pensar no seu padrinho Aécio Neves”, afirmou o empresário nas redes sociais. A frase é uma referência à apreensão, em 2013, de 445 quilos de cocaína em um helicóptero que pertencia a uma empresa criada pelo senador Zezé Perrela, aliado de Aécio.

O candidato do Novo também fez críticas à classe política e à atuação de Anastasia como senador. “O Anastasia não terminou o mandato e agora não quer terminar o cargo dele. Quem vai assumir o cargo dele é o suplente dele que tem a ficha muito suja”. O senador se defendeu dizendo que foi relator em diversos projetos como da renegociação das dívidas e da Lei Kandir, que regula a cobrança de impostos estaduais sobre a circulação de mercadorias.

Ao longo do debate, a proposta de privatização das estradas mineiras foi um dos temas que geraram maior discussão. Anastasia questionou Zema sobre se pretendia repassar a administração de rodovias para a gestão privada. “É muito melhor você ter uma estrada boa, bem policiada, do que não ter nada disso. Sempre fazendo de forma que seja o menor preço que vença e não algo que fique insustentável”, respondeu Zema, que ainda falou mencionou a privatização da BR-262. 

Anastasia lembrou que a estrada usada como exemplo é de administração federal. “O Zema não tem essa sensibilidade, o valor do pedágio pouco importa. Temos que criar pedágios onde é viável”, declarou. 

Doação. No debate, Antonio Anastasia afirmou que as empresas de Romeu Zema fizeram doações para a candidatura de Manuela D’Ávila para a prefeitura de Porto Alegre, em 2008. As doações foram no valor de R$ 2 mil, em nome da Zema Cia de Petróleo. O empresário disse que não sabia do que se tratava essa doação e disse estar surpreso. “Vou me inteirar, porque a nossa empresa nunca se envolveu com política e nunca contribui. É um valor longe de ser algo relevante”.

Ao contrário do debate do primeiro turno, Romeu Zema encerrou a participação sem pedir votos para o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro.

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