Análise: O envelhecimento da ‘nova política’

Na quase totalidade das capitais, estarão no segundo turno candidatos que se filiam a partidos ou a forças políticas tradicionais

Nelson Rojas de Carvalho*, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2020 | 05h00

Na quase totalidade das capitais, estarão no segundo turno candidatos que se filiam a partidos ou a forças políticas tradicionais, já conhecidos em seus respectivos municípios. Afigura-se, assim, um cenário importante de restauração do tecido político brasileiro, esgarçado, de um lado, pela Operação Lava Jato e, de outro, pela crise política e econômica que redundou na remoção de Dilma Rousseff.

Esgarçamento que beirou a ruptura em 2018, com a eleição de candidatos sem qualquer trajetória política prévia, mercadores do discurso da “nova política” ou da antipolítica, como Wilson Witzel (PSC), no Rio, e Carlos Moisés (PSL), em Santa Catarina, que acabaram abatidos por denúncias de práticas graves de corrupção.

O fracasso da reedição dessa “nova política” nos pleitos municipais de 2020 se evidencia de forma emblemática em cidades como Rio e Belo Horizonte, onde os novatos Luiz Lima (PSL) e Rodrigo Paiva (Novo) patinam na rabeira das pesquisas, com, respectivamente, 4% e 1% das intenções de voto.

Se é certo que o fundo partidário associado a um processo eleitoral atípico, sem a presença da rua, tende a dar a vantagem a nomes conhecidos, a ausência dos novos no pleito de 2020 resulta sobretudo do envelhecimento precoce da “nova política”.

*CIENTISTA POLÍTICO DA UFRRJ E COORDENADOR DO LEPPEM

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