NILTON FUKUDA / ESTADAO
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Análise: Dúvidas e certezas sobre Marina Silva

Uma característica da candidata está em evitar se comprometer em assuntos econômicos

Manoel Pires*, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2018 | 22h42

Uma característica da candidata Marina Silva está em evitar se comprometer em assuntos econômicos. Sua principal promessa é inaugurar uma nova condução política no País com ética. Essa postura nos traz muitas dúvidas e algumas certezas que tentei apurar com seu assessor econômico André Lara Resende no âmbito da parceria entre o Estadão e a FGV/IBRE.

É esperado que candidatos não se comprometam com questões econômicas difíceis e evitem detalhar propostas. Isso é diferente de fechar as portas para discussões importantes e o debate serviu para entender a direção que a candidatura oferece.

O País precisa enfrentar diversos temas espinhosos, principalmente nas finanças públicas. Essa agenda requer liderança e ampla capacidade de articulação política. Que sucesso terá essa nova forma de liderar o País? Se o passado for um bom guia para o futuro, cabe lembrar a dificuldade da candidata em criar um partido para viabilizar sua candidatura na eleição passada. Essa é minha maior dúvida.

No debate econômico, Lara Resende apontou alguns elementos importantes da agenda de Marina. Primeiro a reafirmação da importância da reforma do Estado a partir de temas como Previdência, funcionalismo, reforma na tributação direta e indireta e redução do papel empresarial do Estado na economia. Se manifestou favorável ao aumento da tributação sobre herança e dividendos. No tema do teto de gastos, fica implícito que ele pode ser rediscutido se e quando for um problema.

O aspecto mais importante dessas reformas está em reconhecer a necessidade de quebrar as estruturas de poder e lobbies existentes. Ao defender a nova política, ressaltou que o sistema político atual não tem sido favorável às reformas o que é verdadeiro. Mas ainda persiste a dúvida de como esse novo sistema faria isso e quais forças políticas apoiariam essa mudança.

No arcabouço de política macro de curto prazo, que mexe com os mercados, parece haver revisão sobre a independência do Banco Central que machucou a campanha na eleição anterior. Ao mesmo tempo, Lara Resende reafirmou o tripé vigente.

A retomada do crescimento e redução do desemprego foi ponto mais sensível. O argumento central é que a aprovação das reformas irá inaugurar um período de otimismo e acelerar a retomada. Essa foi a aposta do governo atual, sem sucesso. Me parece que a candidatura pode desenvolver melhor esse ponto no decorrer da campanha, sob pena de não atender anseios legítimos da população brasileira.

* Pesquisador do FGV/IBRE

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