Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Ana Amélia abriu mão da reeleição e será minha vice, diz Alckmin

Presidenciável tucano afirma que senadora do PP é a 'vice dos sonhos' nas eleições 2018

Pedro Venceslau, Camila Turtelli, Renan Truffi, Filipe Strazzer e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2018 | 23h06

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, confirmou na noite desta quinta-feira, 2, que a senadora Ana Amélia (PP-RS) vai compor sua chapa como candidata a vice nas eleições 2018. "Ana Amélia aceitou. Foi um gesto importante. Ela abriu mão de sua reeleição ao Senado para vir conosco nessa caminhada", disse o ex-governador de São Paulo em entrevista ao programa Central das Eleições, da GloboNews. 

Alckmin elogiou a nova companheira de chapa, dizendo que ela foi escolhida por vários anos como uma das melhores parlamentares do Congresso. "A vice dos sonhos é Ana Amélia, e eu consegui."

Ana Amélia aceitou o convite para ser vice na chapa do pré-candidato do PSDB na tarde desta quinta-feira– informação antecipada pelo blog da Coluna do EstadãoO convite foi feito diretamente pelo ex-governador de São Paulo à senadora, que condicionou a resposta definitiva a arranjos entre PSDB e PP em âmbito nacional e, principalmente, no Rio Grande do Sul, seu Estado natal e onde as duas legendas têm candidatos próprios ao Executivo.

Conexão Estadão: Alckmin tem vice, Marina também e Meirelles quer Marta

O deputado Luiz Carlos Heinze (PP), que havia fechado uma composição com DEM, PSC, PROS e PSL, deve desistir da disputa, apoiar o tucano Eduardo Leite (PSDB), ex-prefeito de Pelotas, e ocupar a vaga de Ana Amélia na disputa pelo Senado. 

Alckmin acrescentou que recebeu dos partidos que o apoiam “a delegação” para fazer a escolha. Após o empresário Josué Gomes, recém-filiado ao PR, declinar do convite para ser vice de Alckmin, o tucano consultou os aliados do Centrão e chegou a uma lista de sete nomes. A prioridade era compor chapa com uma mulher de um Estado que não fosse São Paulo. 

O nome de Ana Amélia ganhou força porque Alckmin precisa reconquistar eleitores do Sul que, historicamente, votaram no PSDB, mas se afastaram da sigla nos últimos anos.

Na entrevista à Globonews, o candidato ainda disse que a decisão sobre a vice já está pacificada com os outros partidos do Centrão (SD, DEM, PR, PRB e PP). "O Centrão nos delegou essa decisão." 

Senadora confirmou decisão a Alckmin durante a tarde 

Antes da declaração do ex-governador, a senadora gaúcha tinha evitado ser assertiva quando questionada sobre a composição da chapa. “A decisão caberá a Alckmin e ao presidente do partido (PP)”, disse mais cedo, citando o senador Ciro Nogueira (PI). “Se os acertos (entre PP e PSDB gaúchos) não forem concluídos satisfatoriamente, eu tenho que ver como vai ficar”, completou. Ela afirmou que o anúncio oficial deve ser feito até hoje, véspera da convenção nacional do PSDB.

Tucanos confirmaram ao Estadão/Broadcast que a senadora ligou para Alckmin e informou sobre sua decisão no fim da tarde desta quinta-feira. Ela lembrou que nas últimas décadas ao menos três vice-presidentes assumiram o cargo. “Vice não é mais uma figura decorativa no Brasil”, afirmou.

Dirigentes do PP alertaram o tucano e os demais partidos do Centrão – bloco formado por PP, PRB, PR, DEM e Solidariedade – que a decisão pelo nome da senadora deve ser encarada como uma opção “pessoal” da campanha do PSDB e não pode entrar na “cota” do Partido Progressista. O motivo é que Ana Amélia não possui a confiança de Ciro Nogueira e outros caciques do PP. Ela tem um histórico de divergências internas e é avaliada como alguém com um estilo “independente”, o que faz com que não seja unanimidade na direção da sigla.

Ana Amélia destacou-se como opositora de Dilma e por defender a Lava Jato

Ana Amélia Lemos tem 73 anos e é gaúcha de Lagoa Vermelha. Jornalista, trabalhou por mais de 30 anos para o Grupo RBS, afiliado da Globo no Rio Grande do Sul. Na maior parte da carreira, ela atuou diretamente de Brasília, tratando principalmente sobre política.

Em 2010, se afastou do jornalismo para concorrer ao Senado pelo Partido Progressista. No mesmo ano, foi eleita com 29,54% dos votos, ficando com a segunda vaga.

No Senado, votou a favor da PEC do Teto de Gastos e pela reforma trabalhista. Se diz contra “regalias” a políticos e magistrados e defende mudanças na forma de indicação de ministros do STF e redução do mandato na Corte para dez anos. Ela também é co-autora de PEC que propõe o voto facultativo. Sobre o aborto, Ana Amélia diz ser a favor nos atuais termos da Constituição.

Ana Amélia ganhou visibilidade nacional por ter sido uma das vozes mais ativas de oposição ao governo Dilma Rousseff (PT) e por defender o impeachment da ex-presidente. Atualmente, ela se mantém como uma das principais críticas ao PT e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva –condenado e preso na Operação Lava Jato – no Senado.

Em abril, trocou acusações com a senadora Gleisi Hoffmann (PT) após a petista gravar um vídeo para a emissora de TV do Catar Al-Jazeera pedindo uma campanha pela liberdade de Lula. Na ocasião, Ana Amélia disse que “esperava que essa convocação não fosse um pedido para o Exército islâmico atuar no Brasil". A declaração gerou críticas do PT e de organizações de cultura árabe. Ainda este ano, Ana Amélia elogiou cidades gaúchas “que botaram para correr” a caravana de Lula promovida pelo petista. A senadora também é conhecida por defender a Operação Lava Jato e a prisão após condenação em segunda instância.

Em 2014, se candidatou ao governo gaúcho despontando como favorita nas pesquisas. No entanto, acusações de que, na década de 1980, a senadora teria exercido cargo de comissão sem efetivamente trabalhar no gabinete do seu marido, o senador biônico Octávio Cardoso (que morreu em 2011), e de ter omitido uma fazenda em Goiás de sua declaração de bens minaram sua campanha na reta final. Terminou em terceiro.

Apesar de ter sido uma das principais apoiadoras do presidenciável Aécio Neves (PSDB), em 2014, Ana Amélia votou pelo afastamento do senador.

Em quase oito anos no Senado, apresentou 91 projetos de lei e 14 Propostas de Emenda Constitucional. Ela também presidiu a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária e foi relatora de 509 matérias. Para as eleições 2018, Ana Amélia Lemos é favorita à reeleição. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.