FELIPE RAU/ESTADÃO
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Alckmin precisa de um bom desempenho em São Paulo para não repetir erro de Aécio, dizem aliados

Pesquisa do Ibope do final de abril mostra o ex-governador empatado com Jair Bolsonaro (PSL) no Estado que governou por quase 13 anos

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2018 | 10h39

Prestes a tentar uma eleição a presidente da República pela segunda vez, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) terá de conseguir uma boa margem de votos em seu próprio Estado para garantir que esteja no segundo turno das eleições presidenciais. Na avaliação de tucanos próximos ao presidenciável, Alckmin não poderá repetir o erro do senador Aécio Neves (PSDB) em 2014, que perdeu a eleição para Dilma Rousseff em seu próprio Estado, Minas Gerais.

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Pesquisa de intenção de voto realizada pelo Ibope no final de abril mostra o tucano empatado com o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) em São Paulo, Estado que goverou por quase 13 anos, não consecutivos. Eles oscilam com 15% e 16% na liderança, em um cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado na Lava Jato. No cenário nacional, Alckmin não chega aos dois dígitos. A cúpula tucana, porém, mantém esperanças no período da campanha eleitoral e confia que o eleitor vai "acordar para a realidade" ao ver e ouvir Alckmin na televisão e no rádio.

Em recentes manifestações, Alckmin falou que, com 17% dos votos, já iria para o segundo turno da corrida ao Planalto. Na opinião do ex-governador e de tucanos, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve ser candidato, a eleição ficará mais pulverizada e os presidenciáveis precisarão fazer um número menor de votos no primeiro turno em comparação com 2014. Naquele ano, Aécio foi para o segundo turno com 33,55% dos votos válidos.

Uma boa diferença de votos em São Paulo, assim como nos Estados do Sul, dizem tucanos, daria a Alckmin uma margem para compensar eventuais derrotas no Nordeste, reduto tradicional do PT e de políticos alinhados ao campo da esquerda. Nessa tese, Alckmin teria que superar os 10 milhões de votos conquistados por Aécio no território paulista no primeiro turno. "A votação do Alckmin deve ser com essa quantidade para cima. Na minha opinião, ele tira em São Paulo a diferença para ir ao segundo turno", diz o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP).

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Há dois meses, ao defender o lançamento da pré-candidatura do então prefeito da capital paulista, João Doria, ao governo de São Paulo, tucanos diziam que Doria era o único capaz de garantir a vitória de Alckmin no Estado. Na época, os aliados de Doria falavam que o presidenciável precisava fazer cerca de 12 milhões de votos em São Paulo ou até mesmo dobrar o desempenho de Aécio na última eleição. Agora, porém, os tucanos paulistas evitam falar em uma meta e dizem que o objetivo é chegar ao segundo turno, independentemente da quantidade de votos.

Fôlego. Mesmo com as dificuldades atuais para decolar nas pesquisas, líderes do PSDB dizem que ganhar fôlego no Sudeste e no Sul é mais fácil e mais garantido para Alckmin do que buscar furar o desempenho do PT no Norte e no Nordeste. "Realmente o Alckmin tem maior receptividade e expectativa de resultado favorável no Sul e no Sudeste, porque o Nordeste tem declarado uma preferência pelo Lula. Daqui a pouco, vamos ter que tomar uma decisão se a melhor opção é intensificar a campanha no Nordeste ou mantê-la constante no Sul-Sudeste", diz o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer, pré-candidato tucano ao governo de Santa Catarina.

Seguindo o discurso de Alckmin quando tenta explicar o porquê de ainda não ter um desempenho desejável nas pesquisas, aliados do tucano acreditam que apenas durante o período de propaganda eleitoral, a partir de agosto. O partido diz ter pesquisas internas que apontam que o eleitor de São Paulo ainda não sabe que Geraldo Alckmin será candidato a presidente e o veem ainda como governador do Estado. Segundo os tucanos, o levantamento diz que as intenções de voto do presidenciável sobem para 25% quando os entrevistados veem a foto de Alckmin.

"Na hora que o sujeito ligar a televisão, ao invés de ver a novela e ver o programa eleitoral, ele vai se dar conta: opa, eu tenho que tomar minha decisão agora", comenta Vanderlei Macris. Outro aliado comentou à reportagem que as intenções de voto vão crescer após a Copa do Mundo, que termina no dia 15 de julho. "Depois da Copa do Mundo, começa o jogo. O potencial é enorme e Gerado faria muito mais votos que o Aécio fez em São Paulo ", disse um tucano.

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