Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Alckmin diz que não há chance de o PSDB trocar nome ao Planalto: 'Isso não existe'

Pré-candidato tucano à Presidência está sob pressão de aliados devido ao desempenho ruim nas pesquisas de intenção de voto

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2018 | 23h31

BRASÍLIA - O pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, disse nesta quarta-feira, 6, que não há possibilidade de seu partido trocar o nome que vai disputar o Palácio do Planalto. "Isso não existe", afirmou ele. "Agora, claro que tudo está nas mãos de Deus e eu preciso estar vivo."

Sob pressão de aliados e sem conseguir crescer nas pesquisas de intenção de voto, Alckmin chegou a se irritar com correligionários do PSDB, em jantar na segunda-feira, perguntando se queriam mudar o candidato ao Palácio do Planalto. "Não tem estresse. Todo partido grande tem divergência. Isso é natural", respondeu ele, ao ser questionado sobre o assunto na sabatina do jornal Correio Braziliense.

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Indagado se as investigações que atingem o senador Aécio Neves (PSDB), alvo da Lava Jato, não prejudicam ainda mais sua campanha, Alckmin disse que "o PSDB não passa a mão na cabeça de ninguém". Em seguida, partiu para a ofensiva contra o PT. "Quem cometeu erro paga por seu erro. Somos diferentes dos que fazem campanha à beira de penitenciária e querem eleger um imperador", afirmou, numa referência indireta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba.

Ao ser perguntado se adotaria em relação ao ex-presidente Fernando Henrique o mesmo tratamento defendido para Aécio Neves sobre investigações, o ex-governador não titubeou. "Se precisar investigar, investigue-se. Todos estão submetidos à lei. Ninguém está acima da lei", respondeu ele, ao comentar a notícia de que Fernando Henrique recorreu ao empresário Marcelo Odebrecht com o objetivo de conseguir fundos para a campanha dos tucanos Antero Paes de Barros e Flexa Ribeiro ao Senado, em 2010.

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Na sabatina, Alckmin também tentou se desvincular de Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, acusado de ser operador do PSDB. Disse que o risco de seu nome ser citado em uma delação é "zero". Quando jornalistas lhe perguntaram sobre o impacto de Paulo Vieira em sua campanha, ele respondeu: "Nenhum. Ele mesmo já disse que nunca me cumprimentou na vida."

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Presidente do PSDB, Alckmin disse que, se eleito, pretende privatizar o máximo de empresas que puder. "Mas  eu não vou privatizar o Banco do Brasil, não vou privatizar a prospecção de petróleo da Petrobrás. Agora, a TV do Lula, o trem bala, que não tem trem... Temos de ter mais disputa de mercado e mais competitividade", argumentou.

O ex-governador ironizou comentários de que é preciso um outsider para ganhar a confiança do eleitor. "O que é o novo na política? É a idade? É ter 30 anos, não ter 60? Eu sou forjado com o povo. Não sou filho da fortuna pessoal nem da dinastia política." Com dificuldades para fechar alianças, Alckmin disse que está procurando firmar acordo com partidos que não têm candidatos.

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Deputados do DEM chegaram a assinar, nesta terça-feira, 5, o manifesto Por um Polo Democrático e Reformista, uma iniciativa do PSDB e do PPS para pregar a unidade do centro político, mas acabaram voltando atrás. Na tentativa de conter o mal estar, Alckmin elogiou o DEM e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), pré-candidato do partido. Em recente entrevista ao Estado, Maia admitiu que o casamento entre o PSDB e o DEM "está terminando".

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