Presidenciáveis criticam declaração de Mourão sobre 13º

Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) se manifestaram contra a fala do vice de Bolsonaro de que 13º salário é 'jaboticaba brasileira'

Pedro Venceslau e Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2018 | 14h28

Candidatos ao Planalto criticaram a declaração do general Hamilton Mourão, vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), que chamou o 13.º salário e o pagamento de adicional de férias de “jabuticabas”, nesta quinta-feira, 27. O tucano Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT) disseram tratar-se de um direito dos trabalhadores, enquanto Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) falaram da importância da escolha de vices, lembrando do presidente Michel Temer

"Imagina que esse homem pode virar Presidente da República, como acabou acontecendo com três vices na história recente do Brasil, entre eles (José) Sarney e Temer. Se você ainda não tinha um motivo para não votar no Bolsonaro, agora tem", disse Ciro Gomes nas suas redes sociais.

“Não posso ser a favor, como disse hoje o general Mourão, de que o 13° é jabuticaba brasileira. Não é possível achar que o trabalhador que sua a camisa, e muitas vezes é explorado, não tenha direito nem ao 13°”, disse o Geraldo Alckmin, presidenciável do PSDB, após participar da abertura da 14ª Expocristã, no Centro de Exposições Anhembi, na capital paulista.

A presidenciável da Rede criticou a fala de Mourão em seu Twitter. "Vice do Bolsonaro, Mourão atacou a Constituição quando “jabuticabou” a importância do 13º salário e férias. Além de analisar os candidatos, PRESTEM MUITA ATENÇÃO NO VICE. Já sabemos o que a escolha mal feita de um vice pode fazer ao país. #EleNão". 

Em palestra na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, o general Mourão disse ainda que o Brasil é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais. "São coisas nossas, a legislação que está aí. A visão dita social com o chapéu dos outros e não do governo", afirmou. Após a repercusão da fala, ele disse que foi sua declaração foi "descontextualizada ou interpretada de forma equivocada".  "O contexto foi em torno do planejamento gerencial necessário para que o 13º salário seja pago, ou seja, governos e empresários devem reservar, ao longo do ano, recursos de modo a fazer frente à despesa. Trata-se de um custo social, que faz parte do chamado custo Brasil".

Alckmin vai criticar declaração em programa eleitoral

O programa eleitoral de Alckmin desta quinta-feira vai explorar a declaração de  Mourão sobre o 13°. Um locutor afirma que, após defender "a volta da CPMF e mais impostos para pobres agora a campanha de Bolsonaro questiona o 13°". A inserção termina com um slogan: "Para você não ficar sem 13° e não dar PT, vote 45".

Mais tarde, o candidato do PSDB usou o Twitter para reforçar as críticas a Bolsonaro. “A campanha de Bolsonaro é lamentável. O filho, vereador pelo RJ, passa o dia me atacando com mentiras. Ontem, imitando o pai, fez apologia à tortura. O vice, depois de ofender indígenas, negros e mulheres, ataca agora o 13º e as férias dos trabalhadores. E querem a volta da CPMF” .

Fernando Haddad, candidato à Presidência do PT,  relacionou a fala do vice na chapa de Bolsonaro a uma "linha de atuação" do governo Michel Temer apoiada, segundo o petista, por Jair Bolsonaro (PSL) e Geraldo Alckmin (PSDB) na campanha eleitoral.

"O problema todo é que o governo Temer abriu a porteira de retirar direitos. Isso o Alckmin defende, vários candidatos defendem, e o Bolsonaro defende. É uma linha de que o trabalhador é que tem que pagar a conta e não o capital", disse Haddad após comício em Canoas (RS). "É uma linha de atuação."

O próprio Bolsonaro já desautorizou publicamente seu vice. No Twitter, disse que a retirada do 13º salário é "uma ofensa à quem trabalha". Por meio de nota, o general disse que "mais uma vez sua fala foi descontextualizada". "O contexto foi em torno do planejamento gerencial necessário para que o 13º salário seja pago, ou seja, governos e empresários devem reservar, ao longo do ano, recursos de modo a fazer frente à despesa. Trata-se de um custo social, que faz parte do chamado custo Brasil", diz o texto. 

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