Prisão de Milton Ribeiro faz CPI do MEC superar defesa de CPI da Petrobras no Twitter

Prisão de Milton Ribeiro faz CPI do MEC superar defesa de CPI da Petrobras no Twitter

Quantidade de menções diretas sobre o assunto chega a 94,3 mil em dois dias, superando em mais de 20% a mobilização para investigar petrolífera, mostra levantamento

Samuel Lima

24 de junho de 2022 | 12h59

A prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro em meio a investigações da Polícia Federal sobre um esquema de cobrança de propinas com prefeituras em troca da liberação de verbas impulsionou o debate sobre a abertura de uma CPI do MEC no Twitter — a ponto de colocar em segundo plano a principal pauta do bolsonarismo esta semana nas redes, a CPI da Petrobras.

Relatório da consultoria Bites, feito a pedido do Estadão, mostra que o volume de menções no Twitter sobre a CPI do MEC chegou a 94,3 mil entre os dias 22 e 23 de junho. Nesse mesmo período, foram contabilizadas 77,6 mil menções à CPI da Petrobras. A possibilidade de uma investigação no Congresso sobre a gestão da estatal havia chegado ao pico de comentários no dia anterior à prisão de Ribeiro.

Ex-ministro da Educação Milton Ribeiro teve a prisão preventiva decretada por suspeita de envolvimento com gabinete paralelo e com suposta cobrança de propina com prefeituras em troca de verbas. Foto: Dida Sampaio / Estadão

Quando se leva em conta a repercussão geral da prisão do ex-ministro, o relatório indica 559 mil menções. Esse número supera até mesmo o volume de comentários sobre a CPI da Covid nos dois primeiros dias depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso ordenou a instalação do grupo de trabalho por atingir a quantidade mínima de assinaturas — foram 402 mil menções entre 8 e 9 de abril de 2021. O total chega a 40,5 milhões ao longo de seus oito meses de trabalho.

O andamento das investigações sobre o gabinete paralelo no MEC gerou reações diversas entre os influenciadores de direita e os principais aliados do governo Jair Bolsonaro (PL) no Twitter. André Eler, responsável pelo levantamento da Bites, observa que parte desses perfis indicou apoio à instalação de uma comissão de inquérito, enquanto outros insinuaram perseguições contra o governo federal e sugeriram que poderia ser uma manobra para desviar o foco da CPI da Petrobras.

A mobilização pela CPI da Petrobras acumulou cerca de 200 mil menções no Twitter desde 16 de junho, quando a empresa anunciou novo reajuste nos preços dos combustíveis. No dia seguinte, Bolsonaro defendeu a abertura de uma CPI para investigar a gestão da estatal. O requerimento apresentado pelo deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ) acusa a empresa de fazer uma “reserva de lucro” irregular e acima dos parâmetros técnicos previamente definidos; a Petrobras nega.

A pauta provocou um racha entre PP e PL, principais partidos do Centrão na Câmara dos Deputados. A comissão parlamentar de inquérito depende de 171 assinaturas para avançar e tinha 134 nas contas da base aliada do governo esta semana. Uma das razões é que o PP, com 56 integrantes, desistiu de apoiar o colegiado.

O requerimento para a instalação da CPI do MEC, por outro lado, foi apresentado pelo líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), em 29 de março deste ano, depois que o Estadão revelou a existência de um gabinete paralelo no Ministério da Educação que controlava a agenda do ex-ministro Milton Ribeiro com prefeituras. Essas pessoas foram acusadas de cobrar propinas, inclusive em ouro, em troca da liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O tema ganhou novo impulso nas redes e no Congresso com a prisão preventiva de Milton Ribeiro na quarta-feira, 22 de junho, em operação da Polícia Federal. No dia seguinte, Rodrigues anunciou ter conseguido 28 assinaturas para a instalação da CPI do MEC, uma a mais do que o necessário. Depois de protocolado o pedido, a medida cabe ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Milton Ribeiro está sendo investigado por corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência. Além dele, foram presos os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, que estão no centro do suposto esquema. Os três foram soltos por meio de habeas corpus solicitado pela defesa do ex-ministro nesta quinta-feira, 23.

Outro relatório obtido pelo Estadão mostra que a prisão de Milton Ribeiro rendeu o nono pico de menções ao presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais em 2022.

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