Zambelli diz que ‘pelo menos uns 300 deputados’ deveriam ter sigilo quebrado

Zambelli diz que ‘pelo menos uns 300 deputados’ deveriam ter sigilo quebrado

Com sigilo bancário afastado por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do inquérito sobre atos anti democráticos, deputada do PSL afirma que 'não tem problema com a Justiça' e exibe saldo de sua conta

Rodrigo Sampaio, Especial para o Estado

17 de junho de 2020 | 05h00

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) fez uma live em sua página no Facebook na noite desta terça-feira, 16, para se pronunciar sobre a quebra de sigilo bancário imposta pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A determinação é parte de um conjunto de medidas que busca identificar possíveis financiadores de manifestações antidemocráticas que pedem o fechamento do Supremo. A parlamentar se defendeu dizendo que não tem “problema nenhum” com a Justiça e que outros colegas da Câmara é que deveriam estar sendo investigados. 

“Quem deveria estar sofrendo quebra de sigilo bancário não sou eu, mas pelo menos uns 300 deputados. Eu entrei nessa vida política para desmascarar os corruptos, não ser confundida com eles”, afirmou.  

Durante a transmissão, a deputada insinuou que medida pedida por Alexandre teria cunho político porque ela está “sendo a voz de muita gente”, e relembrou quando protestou em frente ao edifício do Supremo pedindo o impeachment de ministros da Corte. 

“Se foi eu dizendo com o microfone na mão na frente do STF que através de um instrumento legítimo, constitucional que é o impeachment de um ministro do STF que ‘startou’ o processo que eu estou respondendo agora, então vocês podem se preparar, porque enquanto vocês estiverem cometendo estes tipos de abuso do poder, vocês vão continuar sofrendo processos de impeachment. Basta que para isso a gente tenha um presidente do Senado que queira comprar essa briga e motivos. Motivos a gente já tem de alguns de vocês”. 

“Eles estão achando que com isso vão calar a gente. Eles não vão nos calar. Tem um detalhe ministro: quanto mais você bater, quanto mais você nos calar, mais eu vou ter motivo pra contar sobre vocês”, completou. 

Ainda durante a live, Zambelli fez questão de mostrar o valor que possui em suas contas bancárias, alegando não ter problemas em divulgar os valores. Por meio de aplicativos, a deputada exibiu, junto aos extratos dos últimos dias, que tem apenas R$ 6,24 no Itaú. Já na Caixa, por onde recebe o salário de parlamentar, os valores eram um débito de R$ 5.868,27 na conta salário, e um crédito no valor de R$ 9.814,56 na conta na qual administraria os gastos de seus escritório. “Como pode ver, não sou uma deputada corrupta. Não deveria ser para ir atrás dos corruptos que o Sr. (Alexandre de Moraes) deveria empenhar toda essa agilidade?”, escreveu Zambelli nas redes sociais minutos antes da live. 

Nesta terça-feira, dez deputados e um senador, todos bolsonaristas, tiveram os sigilos bancários quebrados por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que apura a organização de financiamento de atos antidemocráticos. Os outros nove parlamentares são: Daniel Silveira, deputado federal (PSL-RJ); Junio do Amaral, deputado federal (PSL-MG); Otoni de Paula, deputado federal (PSC-RJ); Caroline de Toni, deputada federal (PSL-SC); Alê Silva, deputada federal (PSL-MG); Beatriz Kicis, deputada federal (PSL-DF); General Girão, deputado federal (PSL-RN); José Guilherme Negrão Peixoto, deputado federal (PSL-SP); Aline Sleutjes, deputada federal (PSL-PR); e Arolde de Oliveira, senador (PSC-RJ). 

O ministro também determinou que o YouTube, Facebook e Instagram prestem informações se as páginas mantidas pelos alvos da operação recebem algum tipo de pagamento por cada postagem. A investigação busca esclarecer se as convocações para as manifestações e publicações contra a Corte e o Congresso são remuneradas ou não. 

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Foto: Gabriela Biló / Estadão

Investigações

As diligências do inquérito começaram na segunda-feira, 15, quando a Polícia Federal deu início ao cumprimento de seis mandados de prisão contra integrantes do grupo bolsonarista ‘300 do Brasil’. Uma de suas lideranças, a extremista Sara Fernanda Giromini, foi presa. Outros três integrantes do grupo foram detidos hoje.

Nesta terça-feira, uma ação da Polícia Federal fez buscas e apreensões em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão, Santa Catarina e no Distrito Federal. Entre os alvos da ação de hoje estão o deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ), que está na lista dos que tiveram sigilo fiscal quebrado, o blogueiro Allan dos Santos, o empresário e advogado Luís Felipe Belmonte, principal operador político do Aliança pelo Brasil, o publicitário Sérgio Lima, marqueteiro do partido que o presidente Jair Bolsonaro tenta criar, e o investidor Otavio Fakhoury, financiador do site Crítica Nacional. A ofensiva mira ainda youtubers bolsonaristas. 

Alexandre de Moraes também é responsável por um outro inquérito, que se debruça sobre ameaças, ofensas e fake news disparadas contra integrantes do STF e seus familiares. Como Alexandre é relator dos dois inquéritos, um está subsidiando as investigações do outro.

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