‘É uma versão que tem fundamento’, diz delegado sobre suspeito que se apresentou em SP para confessar participação nas mortes de Bruno e Dom

‘É uma versão que tem fundamento’, diz delegado sobre suspeito que se apresentou em SP para confessar participação nas mortes de Bruno e Dom

Gabriel Pereira Dantas diz que ajudou a ocultar os corpos do jornalista e do indigenista e que fugiu para São Paulo após o crime; PF ainda não confirmou se ele está entre os suspeitos de envolvimento no duplo homicídio

Rayssa Motta

23 de junho de 2022 | 16h04

Indigenista Bruno Pereira e jornalista Dom Phillips foram mortos no Vale do Javari. Foto: Bruna Prado/AP

O delegado Roberto Monteiro, da Delegacia de Polícia Civil Seccional Centro, disse nesta quinta-feira, 23, que a versão do homem que se apresentou na capital paulista para confessar participação no assassinato do indigenista Bruno Pereira e do repórter britânico Dom Phillips parece estar bem fundamentada. 

“É uma versão que tem fundamento”, afirmou. “Ele relata com muita riqueza de detalhes.”

Ainda segundo o delegado, as informações prestadas pelo suspeito começaram a ser verificadas pela Polícia Civil. “Nós também confirmamos alguns álibis, algumas informações”, acrescentou sem dar mais detalhes.

O crime aconteceu no último dia 5, na região do Vale do Javari, no Amazonas. A Polícia Federal (PF), responsável pela investigação, ainda não confirmou se ele está entre os suspeitos de envolvimento no duplo homicídio.

O homem foi identificado como Gabriel Pereira Dantas. Por voltas das 6 horas, ele procurou policiais na região da Praça da Sé, no centro de São Paulo, e disse que queria confessar o crime. O suspeito relatou ter participado diretamente dos assassinatos e da ocultação dos corpos.

A delegada Maria Cecília Castro Dias, titular do 2.º Distrito Policial, no Bom Retiro, foi quem tomou o depoimento. Ela entrou com um pedido urgente de prisão temporária na Justiça de São Paulo.

Depoimento 

Em depoimento à Polícia Civil, Dantas disse que morava em Manaus, mas se mudou para Atalaia do Norte depois de ter sido ameaçado por traficantes. Ele afirma que estava na cidade há poucos quando se envolveu no crime. Recém-chegado, teria se aproximado de um homem conhecido como “Pelado” ao frequentar o Bar e Mercearia dos Amigos, uma espécie de bar flutuante que vende bebidas e combustível para os barcos que circulam na região. Ainda não se sabe se ele se refere a Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado, ou Jeferson da Silva, o Pelado da Dinha. Ambos foram presos na investigação das mortes de Bruno e Dom.

No dia do crime, ele disse que estava bebendo com Pelado e recebeu o convite para sair de barco. Eles teriam encontrado a embarcação de Bruno e Dom no rio Madeira, na altura da comunidade Vila Isabel. O suspeito afirma que o jornalista e o indigenista não tinham “prática em andar rápido” e foram alcançados após uma perseguição.

O novo preso atribui a execução a Pelado, que segundo ele usou uma espingarda calibre 16, mas confessa ter ajudado a esconder os pertences, a ocultar os corpos e a afundar o barco das vítimas.

Dantas disse que deixou Atalaia do Norte após o crime. Ele afirma ter passado por  Santarém (PA), Manaus (AM) e Rondonópolis (MT) antes de chegar na capital paulista, onde estava morando nas ruas. Um caminhoneiro, que segundo o suspeito teria lhe dado carona até São Paulo, está sendo ouvido na cidade de Rio Verde, Goiás, para testar a versão.

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