Teotônio ‘Bobão’ pegou R$ 2 mi em propinas, diz investigação

Teotônio ‘Bobão’ pegou R$ 2 mi em propinas, diz investigação

Ex-governador de Alagoas é alvo da Operação Caribdis, que investiga suposta fraude na licitação de R$ 33 milhões para construção do Canal do Sertão, entre 2009 e 2014

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

30 Novembro 2017 | 14h35

Teotonio Vilela Filho,durante carreata em Branquinha/AL.FOTO ED FERREIRA/AE.

A Polícia Federal suspeita que o ex-governador de Alagoas Teotônio Vilela Filho (PSDB) teria recebido propina superior a R$ 2 milhões da Odebrecht por meio de fraude no processo de concorrência para as obras do Canal do Sertão, entre 2009 e 2014 – contrato de R$ 33,93 milhões. Na planilha de pagamento de propinas do famoso Setor de Operações Estruturadas da empreiteira, Téo Vilela era identificado pela alcunha de ‘Bobão’.

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Os repasses ao ex-governador, que também foi presidente nacional do PSDB, teriam sido realizados em pelo menos três parcelas, uma primeira de R$ 1 milhão, outra de R$ 900 mil e a terceira de R$ 150 mil.

Téo ‘Bobão’ é o principal alvo da Operação Caribdis, deflagrada nesta quinta-feira, 30, pela PF em parceria com a Procuradoria da República. Agentes federais fizeram buscas na casa do ex-governador e apreenderam computadores, smartphones e documentos.

Teotonio Vilela Filho FOTO ED FERREIRA/AE.

A investigação, segundo a PF, tem como objetivo complementar provas colhidas em inquérito policial instaurado para apurar a suposta prática dos crimes de fraude a licitação, desvio de verbas públicas (peculato), corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, todos relacionados à obra do Canal do Sertão Alagoano, mais especificamente os lotes nºs 3 e 4, ambos licitados pelo Governo de Alagoas – Secretaria de Infraestrutura na gestão Téo Vilela.

O Supremo Tribunal Federal autorizou a PF a utilizar provas decorrentes de delações premiadas de executivos ligados à Odebrecht. A elas se somaram relatórios do Tribunal de Contas da União, constatando sobrepreço em contrato firmado entre o Governo de Alagoas a referida empresa no montante de R$ 33.931.699,46.

Um delator da Odebredcht, Alexandre Biselli, citou Téo ‘Bobão’. Ele disse que se reuniu com o então secretário de Infraestrutura do governo alagoano, Marco Antonio Fireman, o ‘Fantasma’ – também alvo da Operação Caribdis -, em 2014, para ajustar os detalhes dos repasses. Biselli disse que Téo ficou ‘uns vinte minutos fora’ da reunião e, nessa hora, ‘Fantasma’ o teria abordado sobre dinheiro para a campanha daquele ano.

Ainda segundo Biselli, ‘Fantasma’ ameaçou tirar o contrato da Odebrecht.

A Operação Caribdis cumpriu 11 mandados de busca e apreensão expedidos pela 2.ª Vara Federal de Alagoas. Os federais vasculharam endereços em Maceió, Salvador, Limeira (SP) e Brasília.

COM A PALAVRA, TEOTÔNIO VILELA FILHO

O ex-governador Teotonio Vilela Filho tem consciência de que não praticou nenhum crime e que a verdade será restabelecida.

Em coerência com a sua história de vida pessoal e política, o ex-governador assegura ser o maior interessado na elucidação dessas investigações e que continuará à disposição das autoridades, contribuindo no que for preciso.

Assessoria de Comunicação do ex-governador Teotonio Vilela

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