Relembre as investigações que envolvem Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro

Relembre as investigações que envolvem Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro

Filhos do presidente Jair Bolsonaro são investigados em casos que envolvem ‘rachadinha’, funcionários ‘laranjas’ e fake news

Bruno Nomura

28 de abril de 2020 | 12h07

Foto: Família Bolsonaro / Reprodução

O pedido de demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública ganhou destaque pela acusação do ex-juiz ao presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Nesta segunda-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello autorizou a abertura de inquérito sobre os comentários feitos por Moro.

Bolsonaro rebateu as críticas de Moro e disse que o órgão deve ser conduzido “de acordo com a Constituição Federal e as leis do País”. No entanto, em outro momento, já afirmou que, se tivesse poder, “teria anulado, cancelado” qualquer investigação contra um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

A saída de Moro do ministério ocorre em meio a investigações que envolvem os três filhos de Bolsonaro que se lançaram à política. Relembre os casos que envolvem o clã Bolsonaro:

As investigações que envolvem Flávio Bolsonaro, senador (Republicanos-RJ)

Flávio Bolsonaro, filho “01”, é investigado por um suposto esquema de “rachadinha” em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Segundo o Ministério Público, o dinheiro seria gerenciado pelo ex-policial militar Fabrício Queiroz sob a liderança de Flávio. Queiroz foi assessor de Flávio na Alerj e é amigo de longa data do presidente Jair Bolsonaro.

Em 2018, como revelou o Estado, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações atípicas nas contas bancárias de Queiroz, por onde circulou R$ 1,2 milhão. O órgão considerou o valor incompatível à função exercida por Queiroz no período.

O senador Flávio Bolsonaro. Foto: Gabriela Biló / Estadão

A suspeita do Ministério Público é de que o dinheiro veio de um esquema de devolução de parte dos salários (conhecido como “rachadinha”) de funcionários do gabinete de Flávio na Alerj. As investigações também apontam a contratação de funcionários “laranjas” e lavagem do dinheiro da “rachadinha” na compra de imóveis e na loja de chocolates do senador.

O caso Queiroz também implica o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, miliciano morto em uma ação policial no interior da Bahia em fevereiro. A mãe e a ex-mulher dele foram assessoras do gabinete de Flávio na Alerj durante o período investigado. Nóbrega era apontado como chefe do “Escritório do Crime”, milícia suspeita do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em março de 2018.

A defesa de Flávio apresentou ao menos nove recursos para suspender as investigações sobre o caso. O senador sempre negou as acusações do MP e declarou que as investigações fazem parte de uma perseguição para atingir o presidente Bolsonaro.

As investigações que envolvem Carlos Bolsonaro, vereador do Rio (PSC)

Carlos Bolsonaro, o “02”, também é investigado pelo Ministério Público por um suposto esquema de “rachadinha” e contratação de funcionários “fantasmas” em seu gabinete na Câmara Municipal do Rio.

O Estado revelou, em junho do ano passado, o caso de Claudionor Gerbatim de Lima e Márcio da Silva Gerbatim, que foram funcionários do gabinete de Carlos na Câmara e nunca haviam emitido crachá funcional ou registrado entrada como visitantes na Casa. Qualquer servidor da Câmara precisa fazer uma das duas coisas para comprovar que tem frequência, mesmo que exerça funções externas.

Carlos Bolsonaro, vereador carioca (PSC-RJ) Foto: Dida Sampaio/Estadão

Claudionor e Márcio são, respectivamente, sobrinho da atual mulher de Fabrício Queiroz e ex-marido dela. Eles tiveram sigilos bancário e fiscal quebrados na investigação da suposta “rachadinha” no gabinete do irmão Flávio. Antes de estarem lotados na Câmara municipal com Carlos, ambos já haviam trabalhado no gabinete de Flávio na Alerj.

Carlos também é investigado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, que investiga ataques cibernéticos que atentem contra a democracia e o espaço público. Os deputados federais Joice Hasselmann (PSL-SP) e Alexandre Frota (PSDB-SP) acusaram o vereador de comandar as ações do chamado “gabinete do ódio”, que seria um grupo propagador de notícias falsas integrado por assessores especiais da presidência.

As investigações que envolvem Eduardo Bolsonaro, deputado federal (PSL-SP)

Eduardo Bolsonaro também é investigado pela CPMI das Fake News. De acordo com o relato da deputada Joice à comissão, o “03” também pauta a ação do “gabinete do ódio” para atacar adversários políticos. “São quase dois milhões de robôs seguindo dois perfis, sendo 1,4 milhão no perfil de Jair Bolsonaro e 468 mil no perfil de Eduardo Bolsonaro”, afirmou Joice em dezembro.

Na semana passada, Eduardo entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que a Corte suspenda a prorrogação da CPMI. Em 2 de abril, a Mesa Diretora apresentou assinaturas suficientes para a prorrogação das atividades da comissão até 24 de outubro. Eduardo alega que os objetivos da CPMI foram “desvirtuados” no decorrer de suas sessões. O relator do caso, ministro Gilmar Mendes, deve avaliar o pedido nos próximos dias.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) no plenário da Câmara dos Deputados. Foto: Dida Sampaio / Estadão

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