Relatório da PF cita Lobão

Alvo da Lava Jato afirmou que Ricardo Pessoa, empreiteiro-delator da Lava Jato, pediu 'doação' em nome do senador e ex-ministro de Minas e Energia (Governo Dilma)

Redação

31 de julho de 2015 | 16h53

Lobão. Foto: Beto Barata/Estadão

Lobão. Foto: Beto Barata/Estadão

Por Julia Affonso, Mateus Coutinho e Valmar Hupsel Filho

A Polícia Federal citou o senador Edison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia (Governo Dilma Rousseff), em relatório parcial da 16ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Radioatividade e deflagrada na terça-feira, 28. Documentos anexados aos autos da investigação nesta sexta-feira, 31, trazem ainda o depoimento do executivo Flávio Barra, presidente da Andrade Gutierrez Energia, preso pela Radioatividade com o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear.

Barra e Othon estão sob suspeita de envolvimento em um esquema de propinas nas obras da Usina Angra3. O relatório da PF faz menção a uma reunião ocorrida em agosto de 2014 na sede da UTC Engenharia, apontada como líder do cartel de empreiteiras que se apossou de contratos bilionários da Petrobrás e de outras estatais, inclusive a Eletronuclear. Nesse encontro, Ricardo Pessoa, presidente da UTC, teria solicitado ‘doação’ para o PMDB ‘em nome do senador Edison Lobão‘.

“Dentre os dois detidos temporariamente, Flávio David Barra (Andrade Gutierrez) informou que na aludida reunião prévia à assinatura do contrato de Angra 3, Ricardo Pessoa informou a todos que havia uma solicitação por parte do ex-ministro da Energia, Edison Lobão, para que as empresas participantes do consórcio fizessem contribuições para a campanha eleitoral do PMDB”, aponta o relatório.

Empresário de Angra3 diz que Eletronuclear deve R$ 65 milhões

Ricardo Pessoa foi preso em novembro de 2014 pela Juízo Final, etapa da Lava Jato que derrubou o cartel de empreiteiras. O dono da UTC fez delação premiada e agora cumpre prisão domiciliar.

A Lava Jato investiga, na fase Radioatividade, se representantes de empreiteiras que compõem o consórcio responsável pela construção de parte da usina Angra 3 pagaram propina a servidores da Eletronuclear e ainda se houve cartel durante a licitação para evitar a concorrência efetiva entre as participantes.

O ex-presidente da Camargo Corrêa Dalton Avancini, um dos delatores da Lava Jato e já condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, revelou que soube por representantes da empresa UTC, também integrante do consórcio de Angra 3, durante a reunião que as empresas participantes deveriam contribuir com 1% de sua cota do contrato para o PMDB e para servidores públicos. Flávio Barra também esteve no encontro.

Segundo Barra, a reunião foi convocada, inicialmente, para os dirigentes das empreiteiras consorciadas de Angra3 discutirem detalhes relativos às obras. Ele disse que, ao final do encontro, o empreiteiro Ricardo Pessoa pediu a contribuição para o PMDB, ‘em nome’ do senador Lobão.

Nesta quinta-feira, quando teve seu nome citado no depoimento do executivo da Andrade Gutierrez Energia, o senador Lobão, por sua defesa, declarou: “O advogado do Senador Edison Lobão, Antonio Carlos de Almeida Castro, reafirma que não conhece o teor da delação do Sr. Ricardo pessoa e que, por isso, não irá se manifestar sobre ela. No entanto, esclarece novamente que o Senador Edison Lobão nunca pediu nada e nem autorizou ninguém a falar em seu nome. Inclusive, em seu depoimento, o Sr. Flávio Barra disse que nunca fez nenhuma doação ao Senador.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: