Raquel denuncia Jutahy Junior por ‘caixa três’

Raquel denuncia Jutahy Junior por ‘caixa três’

Procuradora alega que deputado federal recebeu R$ 30 mil em doações da Odebrecht que foram registradas em nome de outras duas empresas; três empresários, um deles delator da empreiteira, também foram denunciados

Paulo Roberto Netto

16 Dezembro 2018 | 06h00

O deputado federal Jutahy Magalhães Junior (PSDB). Foto: Ed Ferreira / AE

A procuradora-geral, Raquel Dodge, apresentou denúncia contra o deputado Jutahy Magalhães Júnior (PSDB-BA) e outros três empresários por suposto envolvimento em esquema de ‘caixa três’ da Odebrecht nas eleições de 2010.

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Caixa três é o termo usado para doações eleitorais feitas por grupos empresariais a políticos por intermédio de outras empresas. No caso de Jutahy, a PGR alega que Jutahy recebeu R$ 30 mil em doações da Odebrecht que foram registradas perante a Justiça Eleitoral em nome das empresas Leyroz de Caxias Industria e Lógistica (R$ 24 mil) e Praiamar Industria, Comércio & Distribuição (R$ 6 mil).

O esquema teria sido revelado pelo delator Benedicto Barbosa Silva Júnior, que comandava o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o setor de propinas. Ele é um dos alvos da denúncia ao lado de Walter Faria, empresário do Grupo Petropolis, e Roberto Luiz Ramos Fontes Lemos, dono da Leyroz de Caxias e Praiamar Indústria.

Segundo o depoimento dos acusados, Benedicto Júnior entrou em contato com Walter Faria para pedir ao empresário que doasse R$ 30 mil à campanha de Jutahy Junior, e garantiu que a Odebrecht pagaria o “favor” ao Grupo Petrópolis. Walter, no entanto, não quis ter a empresa na lista de doadores e pediu a Luiz Ramos Lemos que o montante fosse registrado no nome da Leyroz de Caxias e Praiamar Industrias.

De acordo com Raquel, o modus operandi do esquema é conhecido e havia sido utilizado pela Odebrecht em outros casos para dissimular doações eleitorais. Jutahy Magalhães Júnior admitiu em depoimento ter recebido o repasse da Odebrecht ao ser questionado sobre a doação.

“No entanto, como responsável pela prestação de contas, fez inserir esta informação falsa, porque o verdadeiro doador é o Grupo Odebrecht, ao qual estas duas empresas não pertencem”, afirmou Raquel.

A denúncia pede que a Justiça coloque o grupo no banco dos réus por falsidade ideológica, crime com pena mínima de um ano de reclusão, e obrigue o pagamento de indenização de R$ 60 mil em razão ‘ao prejuízo causado ao processo eleitoral’.

A reportagem busca contato com os citados. O espaço está aberto para manifestações.

COM A PALAVRA, O GRUPO PETRÓPOLIS

Em nota, o Grupo Petrópolis informa que as doações para campanhas eleitorais estão registrados e comprovadas em órgãos competentes, de acordo com o que determina a legislação.
Os esclarecimentos sobre o tema já foram prontamente prestados às autoridades para permitir a completa elucidação dos fatos.

COM A PALAVRA, WALTER FARIA

O empresário Walter Faria se defenderá nos termos da lei, confiante que ao final a legalidade das doações será reconhecida pela Justiça.