Promotoria continuará investigando Flávio Bolsonaro por crime eleitoral, apesar de PF pedir arquivamento

Promotoria continuará investigando Flávio Bolsonaro por crime eleitoral, apesar de PF pedir arquivamento

Promotoria Eleitoral do Rio pediu ajuda ao Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção, mesmo grupo que investiga o senador no Caso Queiroz

Caio Sartori/RIO

21 de maio de 2020 | 12h52

O então deputado Flávio Bolsonaro com seu assessor Fabrício Queiroz Foto: Reprodução

O inquérito que apura se o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) cometeu os crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral não vai ser arquivado pelo Ministério Público do Rio, ao contrário do que pediu a Polícia Federal. O caso, que está nas mãos da 204ª Promotoria Eleitoral do Rio, passa a receber o auxílio do Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc), o mesmo que investiga o suposto esquema de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio.

Em março, a PF havia pedido o arquivamento do inquérito, mas a Promotoria não concordou e pediu ajuda ao Gaecc. Isso porque as duas investigações podem se cruzar, já que o inquérito eleitoral apura se o hoje senador mentiu ao declarar seu patrimônio nas últimas eleições. A prática pode configurar lavagem de dinheiro – ou seja, de um dinheiro que sairia do esquema de desvio de recursos da Alerj ‘por meio da rachadinha’ -, além de falsidade ideológica eleitoral.

A informação a respeito da manutenção do inquérito foi noticiada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão. “O Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção do MPRJ (GAECC/MPRJ) confirma que passou a atuar no caso a partir de auxílio solicitado pela 204ª Promotoria Eleitoral e que está analisando o inquérito para adoção das medidas cabíveis”, informou o MP.

A investigação do Gaecc sobre o esquema de rachadinha está em estágio mais avançado. Há mais de um ano, em abril de 2019, os promotores conseguiram as primeiras quebras de sigilo bancário e fiscal dos investigados. Depois, em dezembro, chegaram a cumprir mandados de busca e apreensão, além de mais quebras de sigilo – desta vez, também telefônicos.

O juiz que autorizou as medidas cautelares, Flávio Itabaiana Nicolau, é o mesmo em cujas mãos está a função de decidir sobre o que for produzido no inquérito eleitoral.

O esquema investigado, conhecido como Caso Queiroz, é aquele que teria o ex-assessor Fabrício Queiroz como operador financeiro. Homem de confiança da família Bolsonaro, ele seria o responsável por controlar os desvios.

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