Procuradoria denuncia delegado da PF no Rio e mais 10 por ‘cobrança generalizada de propinas’

Procuradoria denuncia delegado da PF no Rio e mais 10 por ‘cobrança generalizada de propinas’

Lorenzo Martins Pompílio da Hora é acusado de seis crimes de corrupção e um por participação em organização criminosa; Operação Tergiversação, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, descobriu pagamentos ilícitos de mais de R$ 5 milhões realizados por empresários investigados por fraudes no Postalis e no Plano de Saúde dos Correios

Pepita Ortega e Fausto Macedo

28 de junho de 2019 | 10h58

Fachada da Superintendência Regional da PF no Rio. Foto: Google Maps

O Ministério Público Federal denunciou seis integrantes de organização criminosa que atuava dentro da Superintendência da Polícia Federal no Rio e outros cinco por corrupção ativa e passiva ligados ao esquema criminoso. Entre os denunciados estão um delegado da própria PF, Lorenzo Martins Pompílio da Hora, a quem a Procuradoria atribui seis crimes de corrupção passiva e um por participação em organização criminosa, e um escrivão da PF Éverton da Costa Ribeiro – também acusado por seis crimes de corrupção passiva e um por participação em organização criminosa. Um delegado aposentado está entre os denunciados.

Documento

As informações foram divulgadas pelo Ministério Público Federal nesta sexta, 28.

A denúncia é resultado de investigação realizada a partir de inquérito policial federal instaurado para apurar suposto esquema criminoso envolvendo a solicitação de propinas por servidores lotados no Núcleo de Repressão a Crimes Postais, vinculado à PF no Rio, para que excluíssem os nomes de empresários e de suas empresas das investigações em curso naquela unidade.

Segundo a Procuradoria, a Operação Tergiversação desarticulou o grupo criminoso com o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva, três de prisão temporária e 25 de busca e apreensão determinados pela 7.ª Vara Federal Criminal do Rio.

As investigações do Ministério Público Federal e da PF revelaram esquema de cobrança de propina dos investigados e potenciais investigados nos inquéritos policiais relacionados às Operações Titanium (fraudes envolvendo o Plano de Saúde dos Correios) e Viupostalis/Recomeço (fraudes envolvendo o Postalis, fundo de pensão dos funcionários dos Correios).

A Procuradoria informou que essas operações eram conduzidas pelo delegado Lorenzo Pompílio da Hora, com o apoio do escrivão Éverton, lotados à época no Núcleo de Repressão a Crimes Postais da PF.

A Procuradoria destaca que, ‘com a cobrança generalizada de propinas em valores elevados de diversos investigados nas Operações Titanium e Viupostalis, a soma das quantias envolvidas no esquema criminoso, ao menos em relação aos pagamentos de propina já identificados e apontados na denúncia, ultrapassa o montante de 5 milhões de reais’.

Durante as investigações, o Ministério Público Federal celebrou acordos de delação premiada com alguns empresários que relataram terem recebido solicitação de vantagens indevidas por parte dos supostos operadores Marcelo Guimarães e Rosalino Felizardo de Santana Neto, que atuavam em nome dos delegados e do escrivão que comandavam as investigações.

“A solicitação das vantagens indevidas era feita para evitar a exposição na mídia de investigados e potenciais investigados e favorece-los nas apurações conduzidas pelos investigadores quanto às irregularidades no Postalis e no Plano de Saúde dos Correios”, sustenta a Procuradoria.

Os pagamentos, que variaram de R$ 450 mil a R$ 1,5 milhão, eram feitos na maior parte das vezes em dinheiro, mas em alguns casos foram repassados por meio de transferências a empresas ligadas aos operadores Marcelo e Rosalino.

Segundo o Ministério Público Federal, foram denunciados ainda quatro empresários que ‘participaram do esquema criminoso e fizeram o pagamento de vantagens indevidas e outros dois integrantes da organização criminosa’ – Luís Henrique do Nascimento Almeida, ‘que atuou em atos de lavagem de ativos e movimentava recursos em espécie nas atividades do grupo’ e João Alberto Magalhães Cordeiro Junior que, ‘além de efetuar pagamentos para ser favorecido nas investigações da Titanium, atuou como intermediário, abordando empresários para participação no esquema criminoso’.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem busca contato com os denunciados pelo Ministério Público Federal. O espaço está aberto para manifestação.

Tendências: