Procuradoria e PF desmontam esquema de propinas de R$ 1,5 mi na sede da PF no Rio

Procuradoria e PF desmontam esquema de propinas de R$ 1,5 mi na sede da PF no Rio

Operação Tergiversação, deflagrada nesta terça, 11, indica que organização criminosa contava com o envolvimento de um delegado e um escrivão que conduziam inquéritos sobre crimes postais

Pepita Ortega e Fausto Macedo

11 de junho de 2019 | 12h42

Fachada da Superintendência Regional da PF no Rio. Foto: Google Maps

O Ministério Público Federal e a Polícia Federal deflagraram, na manhã desta terça-feira, 10, a Operação Tergiversação, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que atuava dentro da Superintendência da PF do Rio.

O grupo, segundo informou a Procuradoria, se dedicava ‘à obtenção de vantagens indevidas’ e contava com a participação de um delegado federal, um escrivão da PF e ‘demais agentes criminosos a estes relacionados’.

Segundo a investigação, a propina era cobrada ‘em razão da função exercida (pelo delegado e pelo escrivão) na condução de inquéritos policiais em curso na Polícia Federal’.

A 7.ª Vara Federal Criminal do Rio expediu seis mandados de prisão preventiva, três de prisão temporária e 25 de busca e apreensão.

As investigações desenvolvidas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal ‘revelaram esquema de cobrança de propina dos investigados e potenciais investigados nos inquéritos policiais’.

Os inquéritos estão relacionados às Operações Titanium (fraudes envolvendo o Plano de Saúde dos Correios) e Viupostalis/Recomeço (fraudes envolvendo o Postalis, fundo de pensão dos funcionários dos Correios), que eram conduzidas pelo delegado de Polícia Federal Lorenzo Pompílio da Hora, com o apoio do escrivão Éverton da Costa Ribeiro, lotados à época no Núcleo de Repressão a Crimes Postais da Delepat/RJ.

Segundo a Procuradoria, as apurações apontaram que Lorenzo e Éverton ‘solicitaram e receberam vultuosos valores de vantagens indevidas para evitar a exposição na mídia de investigados e potenciais investigados e favorecê-los nas apurações conduzidas por eles quanto às irregularidades no Postalis e no Plano de Saúde dos Correios’.

Anda segundo a Procuradoria, o delegado e o escrivão contavam com a atuação dos operadores Marcelo Guimarães e Rosalino Felizardo de Santanta Neto, os principais intermediários da organização criminosa, que usavam seus contatos para se aproximar de potenciais investigados e solicitar desses o pagamento de vantagens indevidas, além de viabilizar o recebimento de valores de propina e as operações de lavagem de dinheiro.

Os pagamentos, que variaram, segundo a investigação, de R$ 400 mil a R$ 1,5 milhão, eram feitos na maior parte das vezes em dinheiro, mas em alguns casos foram repassados por meio de transferências a empresas ligadas aos operadores Marcelo e Rosalino.

O Ministério Público Federal informou que foi identificada ainda a participação do empresário e operador João Alberto Magalhães Cordeiro Júnior e de Sancler Miranda Costa no grupo criminoso, que contou ainda com a atuação de Pedro Henrique Moreira Fernandes e de Luís Henrique do Nascimento Almeida, que ‘movimentaram recursos em espécie em favor do grupo e atuaram como ‘laranja’ de alguns investigados’.

Dados obtidos com as quebras de sigilo bancário, fiscal, telemático e telefônico dos investigados, somados aos elementos apresentados em razão de acordo de delação premiada celebrado com alguns dos empresários abordados pelo grupo criminoso, ‘comprovaram a efetiva prática dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro’.

Há indícios de que o esquema criminoso envolveu outros agentes públicos e que não se limitou às investigações apontadas.

Tendências: