Procuradores da Lava Jato não falam de conluios, corrupção, falsidades, diz MP PróSociedade

Procuradores da Lava Jato não falam de conluios, corrupção, falsidades, diz MP PróSociedade

Em meio à grande polêmica que cerca diálogos atribuídos a membros da força-tarefa do Ministério Público Federal e também ao ex-juiz Sérgio Moro, em suposto 'arranjo' das fases da Operação Lava Jato, Associação Nacional do Ministério Público diz que vazamento é 'fruto da atividade de hackers'

Redação

10 de junho de 2019 | 16h56

Deltan Dallagnol e Sérgio Moro. Foto: Hélvio Romero/Estadão

Em meio à grande polêmica que cerca diálogos atribuídos a procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal e também ao ex-juiz Sérgio Moro, em suposto ‘arranjo’ e reordenamento de fases da Operação Lava Jato, a Associação Nacional do Ministério Público PróSociedade divulgou nota nesta segunda, 10, em que aponta a ação de ‘hackers’ e destaca que as conversas não tratam de ‘conluios’.

“Nestes diálogos, repita-se, obtidos por meio de crimes graves, não há conluios, não há corrupção, não há falsidades, não há qualquer intento de salvar criminosos, dilapidadores dos recursos do povo”, assinala o texto do MP PróSociedade.

As conversas de procuradores e de Moro foram divulgadas pelo site The Intercept neste domingo, 9. Segundo a publicação, os dados foram extraídos de arquivos enviados por ‘fonte anônima’ alcançando o período entre 2015 e 2018 pelo aplicativo Telegram.

Moro disse que estão fazendo ‘muito barulho’.

Segundo o The Intercept, entre os diálogos de Deltan e Moro há referências a fases da operação que desmontou o esquema de corrupção e cartel instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014.

Na avaliação do MP PróSociedade, ‘o quadro apresentado até o presente momento indica a ocorrência de um acesso criminoso a dados pertencentes a autoridades envolvidas com a operação, fruto da atividade de ‘hackers’, e publicada em página ligada a político de partido que ataca constantemente a Lava-Jato, com prováveis violações ao artigo 154-A do Código Penal e/ou artigo 10 da Lei 9296/96.’

O MP PróSociedade assinala que os diálogos vazados mostram ‘a luta de abnegados servidores públicos em limpar a sujeira que há anos se acumulou nos quadros da república’.

“Vale dizer que nem se sabe se são verdadeiros os trechos divulgados, se as divulgações não foram objeto de montagens; mas o certo é que, sendo este um movimento largamente orquestrado, já se multiplicam as absurdas solicitações pela anulação das investigações, pela libertação de criminosos amplamente condenados e, como não poderia ser diferente, ataques ao Ministério Público”, ressalta a nota da entidade.

O MP PróSociedade prevê que ‘em breve os mesmos que incentivam a invasão ilegal de dados sigilosos, que se arvoram como “defensores da democracia”‘, tentarão aprovar a Lei da Intimidação de policiais, membros do Ministério Público, magistrados, chamada eufemisticamente de Lei do Abuso de Autoridade (para esconder as intenções) como forma de represálias pela revelação de seus mais sórdidos esquemas de roubo da nação’.

“Sempre haverá um preço a pagar por fazer o certo e combater o mal”, afirma a entidade dos procuradores. “A Operação Mãos Limpas na Itália mostrou que não se moraliza um país sem sofrer retaliações…”

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO PRÓSOCIEDADE

Nota de apoio à Lava-Jato

“A Associação Nacional do Ministério Público PróSociedade, diante do quadro de ataques, por parte de alguns setores da imprensa e da política, ao trabalho desenvolvido pela Operação Lava-Jato, vem MANIFESTAR o seu mais profundo apoio à operação e aos seus componentes.

O quadro apresentado até o presente momento indica a ocorrência de um acesso criminoso a dados pertencentes a autoridades envolvidas com a operação, fruto da atividade de ‘hackers’, e publicada em página ligada a político de partido que ataca constantemente a Lava-Jato, com prováveis violações ao artigo 154-A do Código Penal e/ou artigo 10 da Lei 9296/96.

O material divulgado até agora, obtido ilicitamente como eles mesmos reconhecem, visa apenas à desestabilização dos instrumentos de persecução à corrupção institucionalizada, já que apenas indica conversas relacionadas às relações de trabalho, resultantes dos vínculos de confiança estabelecidos entre agentes comprometidos com o respeito à Constituição e às leis do país.

Nestes diálogos, repita-se, obtidos por meio de crimes graves, não há conluios, não há corrupção, não há falsidades, não há qualquer intento de salvar criminosos, dilapidadores dos recursos do povo.

Vê-se, por outro lado, a luta de abnegados servidores públicos em limpar a sujeira que há anos se acumulou nos quadros da república.

Vale dizer que nem se sabe se são verdadeiros os trechos divulgados, se as divulgações não foram objeto de montagens; mas o certo é que, sendo este um movimento largamente orquestrado, já se multiplicam as absurdas solicitações pela anulação das investigações, pela libertação de criminosos amplamente condenados e, como não poderia ser diferente, ataques ao Ministério Público.

Em breve os mesmos que incentivam a invasão ilegal de dados sigilosos, que se arvoram como ‘defensores da democracia’, tentarão aprovar a Lei da Intimidação de policiais, membros do Ministério Público, magistrados, chamada eufemisticamente de Lei do Abuso de Autoridade (para esconder as intenções) como forma de represálias pela revelação de seus mais sórdidos esquemas de roubo da nação.

Sempre haverá um preço a pagar por fazer o certo e combater o mal. A Operação Mãos Limpas na Itália mostrou que não se moraliza um país sem sofrer retaliações…”

Associação MP Pró-Sociedade

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