Prisão de Perillo evita recebimento de eventual saldo de propina, diz juiz

Prisão de Perillo evita recebimento de eventual saldo de propina, diz juiz

Rafael Ângelo Slomp, magistrado da 11.ª Vara Federal Criminal de Goiânia, considera 'imprescindível' a decretação da custódia preventiva do ex-governador 'com amparo na garantia da ordem pública'

Fabio Serapião/BRASÍLIA

10 Outubro 2018 | 18h19

Marconi Perillo. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Ao decretar a prisão preventiva do ex-governador de Goias Marconi Perillo (PSDB), o juiz Rafael Ângelo Slomp, da 11.ª Vara Federal Criminal, em Goiânia, afirmou que a medida é necessária para prevenir o envolvimento do tucano em outros atos de recebimento de valores e de eventual saldo de propina. A prisão do tucano é um desdobramento da operação Cash Delivery.

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Perillo foi preso nesta quarta, 10, ao chegar na Superintendência da PF, em Goiânia, para prestar depoimento sobre as acusações de delatores da Odebrecht Fernando Reis e Alexandre Barradas. Em suas delações, eles citaram repasses de R$ 10 milhões a Perillo – R$ 2 milhões na eleição de 2010 e R$ 8 milhões em 2014.

“Observada a quantidade de propina descrita na representação policial, associada à apreensão ocorrida na fase ostensiva da operação (mais de R$ 1 milhão), somada à extensão temporal em que se desenvolveram as práticas delitivas, torna imprescindível a decretação da custódia cautelar com amparo na garantia da ordem pública”, diz trecho da decisão de Rafael Slomp. O magistrado se refere a Jayme Rincón, ex-tesoureiro do ex-governador, que foi preso cerca de R$ 900 mil em espécie.

A informação sobre a prisão foi confirmada pela assessoria de Perillo e pelo seu advogado, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. De acordo com o advogado, ‘não há absolutamente nenhum fato novo que justifique o decreto do ex-governador Marconi Perillo, principalmente pelas mencionadas decisões anteriores que já afastaram a necessidade de prisão neste momento’.

No pedido de prisão de Perillo, a Procuradoria afirma que Perillo ‘montou e mantêm’ uma sofisticada ‘rede de lavagem de dinheiro, formada por empresas parceiras para ocultar a origem da propina recebida, não só, da Odebrecht’.

Os valores movimentados pelo grupo, diz o Ministéro Público Federal, seriam utilizados para “comprar o apoio político de 66 candidatos aliados, na forma de financiamento fraudulentamente dissimulado como oficial de suas respectivas campanhas eleitorais”.