Presidente do STJ põe Chiquinho da Mangueira em prisão domiciliar

Presidente do STJ põe Chiquinho da Mangueira em prisão domiciliar

Deputado estadual do Rio é alvo da operação Furna da Onça, que mira suposta mesada ao grupo do ex-governador Sérgio Cabral (MDB); o parlamentar e sua mãe movimentaram R$ 1 milhão em dinheiro vivo, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)

Rafael Moraes Moura e Teo Cury/BRASÍLIA

14 de janeiro de 2019 | 18h49

Chiquinho da Mangueira. Foto: Thiago Lontra

BRASÍLIA – O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro João Otávio de Noronha, decidiu colocar o deputado estadual Francisco Manoel de Carvalho (PSC), o Chiquinho da Mangueira, em prisão domiciliar. Em sua decisão, Noronha considerou o estado de saúde de Chiquinho da Mangueira, que preside a tradicional escola de samba do Rio.

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Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no âmbito da Furna da Onça revela transações de R$ 1 milhão em espécie ligadas a Chiquinho. Do total, R$ 355 mil foram movimentados pela mãe do deputado, que é apontada como sua emissária no recebimento de propinas pela delação de ‘Serjão’, operador de Sérgio Cabral. O dinheiro circulou nas contas da Mangueira, também citada pelo operador. Segundo Sérgio de Castro Oliveira, uma mesada era paga a Chiquinho para suprir deficiências de caixa da escola de samba.

“Da análise do laudo apresentado, constata-se que, além da perda ponderal de 8kg em 41 dias e risco de vida do paciente, há inviabilidade da manutenção da internação na Unidade de Pronto Atendimento – UPA, ante a superlotação e o risco de contágio de outras doenças”, destacou Noronha.

O parlamentar está preso desde 8 de novembro na Operação Furna da Onça sob suspeita de receber um “mensalinho” do grupo do ex-governador Sérgio Cabral (MDB).

Em depoimento à Polícia Federal, Chiquinho da Mangueira confirmou que recebeu dinheiro vivo de Sérgio de Castro Oliveira, o “Serjão”, apontado como operador financeiro do esquema de corrupção atribuído a Cabral. O deputado, no entanto, negou que o repasse fosse exatamente uma mesada. Ele afirmou que o dinheiro era destinado à Mangueira, com dificuldades de caixa.

PATROCÍNIO. Depois da prisão de Chiquinho, a Uber comunicou que não vai mais apoiar os desfiles do Grupo Especial do Rio neste carnaval. “Se quisermos fazer parcerias com a iniciativa privada, é importante que o prefeito não cobre pedágio, não exija propina. É preciso ter o princípio que gere uma empresa, um lar, uma casa, que é a honestidade”, disse à época o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB).

A Mangueira desfila este ano com o enredo “História pra ninar gente grande”, em que contará o “lado B” da história do Brasil, homenageando personagens deixados de lado na narrativa oficial nacional, como o líder jangadeiro abolicionista Chico da Matilde, conhecido como Dragão do Mar.

Ele se recusou a transportar escravos para o sul do País e levou o Ceará a abolir a escravidão em 1884 – quatro antes da assinatura da lei áurea pela Princesa Isabel.

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