Presidente da Oi anuncia saída do cargo após Operação da PF: ‘É só pepino’

Presidente da Oi anuncia saída do cargo após Operação da PF: ‘É só pepino’

Executivo fica no cargo até 30 de janeiro; de acordo com a empresa, a saída já estava prevista

Vinicius Neder/RIO

10 de dezembro de 2019 | 21h43

No mesmo dia em que a operadora de telefonia Oi foi alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Mapa da Mina, 69.ª fase da Lava Jato, a companhia anunciou a saída do presidente, Eurico Teles. O executivo ficará no cargo até 30 de janeiro de 2020. O nome do novo diretor-presidente será escolhido pelo Conselho de Administração da Oi, que se reunirá após convocação de seu presidente, informaram os executivos, em entrevista coletiva na sede da empresa, no Rio. A operação apura contratos da Oi com filho de Lula, o empresário Fábio Luís Lula da Silva.

O presidente da OI, Eurico Teles, discursa em evento no Rio de Janeiro. Foto: Pilar Olivares / Reuters

Telles assumiu a presidência em novembro de 2017, já em meio ao pedido de recuperação judicial. Ele negou que soubesse de qualquer irregularidade envolvendo as operações. O executivo limitou-se a ressaltar que a “Oi entrou na Gamecorp há muitos anos”, quando tanto o Conselho de Administração quanto os donos eram outros. Ponderando que não fazia parte da gestão nem do conselho à época, Teles disse que “a análise econômica e de oportunidade de negócio não posso avaliar”.

“Qual foi o benefício que teve essa companhia? Eu desconheço. Estou aqui há 38 anos e vou dizer o seguinte: essa companhia é só pepino. Ela foi para recuperação judicial, uma companhia deste tamanho”, afirmou Teles.

Segundo os executivos da Oi, o anúncio da saída de Teles já estava previsto em plano de transição, homologado no Judiciário. “Os dois processos (a operação deflagrada nesta terça-feira e o anúncio da saída de Teles) não têm nada a ver uma coisa com a outra”, afirmou o COO (chief operations officer) da Oi, Rodrigo Abreu.

Segundo o executivo, o plano de transição que previa o anúncio da saída de Teles foi homologado judicialmente em junho último. Indicado para o cargo já em meio ao processo de recuperação judicial da companhia, Teles lamentou o envolvimento da empresa nas investigações. “A Oi nunca sofreu uma situação dessa e vem cooperando com as autoridades competentes”, afirmou o executivo.

Questionado se o futuro presidente da Oi será diretor operacional, Rodrigo Abreu, Teles respondeu, ao lado do colega: “Aí, eu não sei, o conselho se reunirá e indicará o presidente”. Mais adiante na entrevista, Teles demonstrou apoio ao nome de Abreu. “Gostaria muito que o conselho escolhesse o Rodrigo”, afirmou Teles.

Abreu procurou ressaltar que a gestão atual da empresa “não tem nada a ver com o passado”, reafirmou que todos os documentos e informações requeridos pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF) têm sido repassados, mas evitou confirmar detalhes das investigações divulgados pela força-tarefa.

A Operação Mapa da Mina investiga supostos repasses financeiros que teriam sido realizados pelas operadoras de telefonia Oi e Vivo Telefônica em favor de empresas do grupo Gamecorp/Gol, controladas pelo filho mais velho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, pelos irmãos Fernando Bittar e Kalil Bittar e pelo empresário Jonas Suassuna.

Tanto Teles quanto Abreu reforçaram a mensagem de que a Oi está cumprindo seu plano de recuperação judicial e defenderam o novo plano estratégico de crescimento da companhia.

Abreu, que era membro do Conselho de Administração e está no cargo de COO, segundo disse, há cerca de dois meses, demonstrou confiança no plano e no futuro da Oi. Segundo o executivo, a companhia tem instalado fibra óptica em “mais de 450 mil casas” por mês, com ativação de usuários de banda larga “superior a 100 mil usuários” por mês. “A companhia sabe executar”, disse Abreu.

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