Por que Bretas mandou prender ex-presidente do Paraguai na nova fase da Câmbio, Desligo

Por que Bretas mandou prender ex-presidente do Paraguai na nova fase da Câmbio, Desligo

Leia a íntegra da decisão do juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro que mandou deflagrar, na manhã desta terça, 19, a Operação Patron para investigar grupo que deu apoio à fuga e à ocultação de bens de Dario Messer, conhecido como o 'doleiro dos doleiros'

Pepita Ortega e Fausto Macedo

19 de novembro de 2019 | 10h10

O ex-presidente do Paraguai Horácio Cartes. Foto: Jorge Adorno / Reuters

Ao mandar deflagrar a Operação Patron, na manhã desta terça, 19, o juiz Marcelo Bretas da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro considerou que as suspeitas envolvendo grupo que deu apoio à fuga e à ocultação de bens de Dario Messer, o ‘doleiro dos doleiros’, podem configurar ‘graves delitos de evasão de divisas, organização criminosa e lavagem de dinheiro’. Entre os alvos das 16 ordens de prisão preventiva decretadas por Bretas, está o ex-presidente do Paraguai Horácio Cartes.

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Nesta manhã, agentes cumprem ainda outros 21 mandados – 3 de prisão temporária e 18 de busca e apreensão. As ações são realizadas na Grande São Paulo, em Ponta Porã, no Rio de Janeiro e em Armação dos Búzios. Há ainda o cumprimento de ordens na fronteira com o Paraguai.

A operação foi batizada com o nome Patron, espanhol para ‘patrão’, para fazer referência ao termo que Dario Messer utilizava para se referir a Cartes. O doleiro foi preso no fim de julho, em São Paulo, em uma ação coordenada da Polícia Federal e da Procuradoria da República.

Foi a partir da análise do material apreendido durante a prisão do doleiro – documentos, celulares e computadores – que a Polícia Federal identificou as pessoas que estariam auxiliando Dario ‘na tentativa de se furtar da justiça brasileira’ e que fariam parte de um grupo que fornecia ‘apoio logístico para que os recursos financeiros pudessem chegar’ a Messer.

O Ministério Público Federal destacou que os investigados estariam divididos em três grupos – financeiro, operacional e político – sendo que o ex-presidente Horácio Cartes faria parte do último.

Em sua decisão, Bretas destaca que o relacionamento entre as famílias de Dario Messer e de Cartes se iniciou na década de 80.

“Ao que tudo indica, a relação entre a família somente se fortaleceu. Na década de 90, Horácio e Dario adquiriram uma fazenda juntos; já em 2016, em um evento público, Horacio Cartes declarou que Dario seria seu irmão de alma”, registra a decisão.

Bretas segue dizendo que, de acordo com informações coletadas pelo MPF do celular de Dario, em julho de 2018, logo após a deflagração da Operação Câmbio Desligo, Dario teria encaminhado carta para ‘patrão’ solicitando US$ 500 mil para seus gastos iniciais jurídicos.

Além de Cartes, fariam parte do núcleo político do grupo: Roque Fabiano Silveira, empresário na fronteira, que seria portador do pedido de dinheiro de Messer para Cartes; Felipe Cogorno Alvarez, empresário do grupo Cogorno investigado por ocultar US$500 mil para Messer; Antonio Joaquim da Mota, empresário ligado a crimes com cigarros, drogas e armas e que teria abrigado Messer em propriedades da família no Paraguai; Cecy Medes Gonçalves da Mota, mulher de ‘Tonho’; e Maria Letícia Bobeda Andrada, uma advogada, filha de senador que teria ocultado US$ 150 mil de Messer para fins ilícitos.

O grupo teria ainda um braço financeiro, do qual fazia parte o doleiro Najun Turner, preso na manhã desta terça, 19, além de outras sete pessoas, e um braço operacional, envolvendo a namorada de Dario Messer, Myra Athayde, e sua família, que teria garantido o transporte e o recebimento de recursos financeiros ocultos do doleiro.

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