PGR denuncia Aécio por propinas de R$ 65 milhões da Odebrecht e da Andrade Gutierrez

PGR denuncia Aécio por propinas de R$ 65 milhões da Odebrecht e da Andrade Gutierrez

Tucano é acusado de receber vantagens indevidas em troca de 'influência' em negócios das empreiteiras ligadas a Furnas; caso está sob sigilo

Paulo Roberto Netto e Fausto Macedo

30 de abril de 2020 | 18h03

A Procuradoria-Geral da República denunciou o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em esquema de propinas de R$ 65 milhões das construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez. Os crimes teriam ocorrido entre os anos de 2008 e 2011, período em que o parlamentar era governador de Minas Gerais e senador pelo mesmo Estado.

A denúncia deriva de delação de Marcelo Odebrecht e investigações da Polícia Federal, que no mês passado concluíram que o tucano recebeu R$ 30 milhões do grupo Odebrecht e outros R$ 35 milhões da Andrade Gutierrez como ‘contrapartida pelo exercício de influência e negócios da área de energia desenvolvidos em parceria’ com as construtoras, como os Projetos do Rio Madeira, as Usinas Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, pela Cemig e Furnas.

O caso está sob sigilo.

O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG). Foto: Dida Sampaio / Estadão

O pagamento da Odebrecht foram distribuídas entre janeiro de 2009 e dezembro de 2010 por meio do doleiro José Antônio Esteves Soares (já falecido) com intermediação de Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas. Cerca de R$ 1,7 milhão da propina foi pago em dólares por meio de empresas offshore localizadas em Antígua e Barbuda, no Caribe, nas Ilhas Marshall, país na Oceania, e Cingapura, entre novembro de 2008 e janeiro de 2009.

Em relação à Andrade Gutierrez, a propina de R$ 35 milhões foi paga mediante dois investimentos na holding Aalu Participações e investimentos, que tem como sócio proprietário Alexandre Accioly Rocha e é controladora da empresa Academia Bodytech nos valores de R$ 30,5 milhões e R$ 4,5 milhões em abril de 2010 e setembro de 2011.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ALBERTO ZACHARIAS TORON, QUE DEFENDE AÉCIO NEVES
Essa notícia causa surpresa e indignação. Não há e nunca houve qualquer crime por parte de Aécio Neves. Foi demonstrado exaustivamente que as conclusões alcançadas pelo delegado são mentirosas e desconectadas dos próprios relatos dos delatores e, o que é mais grave, das próprias investigações da PF. Aliás, tamanho é o absurdo do presente caso que os próprios relatos dos delatores desmentem-se entre si. Basta lê-los. Depois, mais uma vez a Defesa vê-se surpreendida com vazamentos sistemáticos de inquérito sigiloso, sendo certo que nem mesmo os advogados tiveram acesso à referida denúncia para rebatê-la.

Por fim, a Defesa confia que o poder Judiciário promoverá a análise detida e imparcial dos fatos e chegará à única conclusão possível: não há sequer indício de crime por parte do deputado Aécio.

Alberto Zacharias Toron
Advogado

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ALEXANDRE ACCYOLI
A defesa de Alexandre Accioly não teve acesso a eventual denúncia apresentada em seu desfavor. Em diversas manifestações ao longo da investigação, Alexandre Accioly provou documentalmente que não é e nunca foi intermediário de Aécio Neves. Não recebeu qualquer valor ilícito em nome de ninguém, muito menos das empresas Odebrecht, Andrade Gutierrez ou qualquer outra.

É importante registrar que Accioly é um empresário há 40 anos sem qualquer mancha na sua vida.

Essa acusação é descabida, improcedente e fantasiosa.

José Luis Oliveira Lima e Renato de Moraes
Advogados.

COM A PALAVRA, O EX-DIRETOR DE FURNAS DIMAS TOLEDO
A reportagem busca contato com a defesa de Dimas Toledo. O espaço está aberto a manifestações (paulo.netto@estadao.com)

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