PF abre inquérito para investigar ataque hacker que travou 12 mil processos do STJ

PF abre inquérito para investigar ataque hacker que travou 12 mil processos do STJ

Equipe de peritos da Polícia Federal já começou trabalho para identificar invasores e contornar danos causados pela invasão ao sistema oficial do Tribunal

Rayssa Motta/SÃO PAULO, Patrik Camporez e Breno Pires/BRASÍLIA

05 de novembro de 2020 | 16h43

Sede do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. Foto: Google Maps/Reprodução

A Polícia Federal informou nesta quinta-feira, 5, que instaurou inquérito policial para apurar a invasão dos computadores do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ataque hacker bloqueou a base de dados dos processos em andamento na Corte e paralisou os trabalhos até a próxima semana.

Segundo a PF, peritos já começaram o trabalho para analisar a extensão do ataque cibernético, identificar os invasores e definir de que forma poderão contornar os danos. Uma eventual relação da invasão com outros dois sistemas oficiais atingidos, do Ministério da Saúde e da Secretaria de Economia do Distrito Federal, também está sendo investigada.

“As diligências iniciais da investigação já foram adotadas, inclusive, com a participação de peritos da instituição. Eventuais fatos correlatos poderão ser apurados na mesma investigação, que está em andamento na Superintendência Regional da Policia Federal no Distrito Federal”, informou, em nota, a corporação.

A investigação foi aberta a pedido do presidente do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Martins. Também partiu dele a resolução suspendendo as atividades da Corte até o próximo dia 9. Desde então, os prazos processuais foram suspensos e todas as sessões de julgamento, virtuais e por videoconferência, foram canceladas.

Os ministros e assessores da Corte estão impedidos até mesmo de utilizar seus e-mails e fazer qualquer movimentação digital nos processos até o restabelecimento da segurança do tráfego de dados dos sistemas. Apenas decisões urgentes, como habeas corpus, pedidos de liminares e mandados de segurança, estão sendo tomadas manualmente.

Apenas nesta quarta-feira, 4, 2.500 decisões monocráticas deixaram de ser concluídas e publicadas. Pelo menos 280 processos que seriam julgados de forma virtual e 126 casos que seriam avaliados em sessões colegiadas também foram paralisados.

Peritos ouvidos pela reportagem tratam o caso como ‘o mais grave ataque hacker’ já verificado nos órgãos públicos da capital federal. Eles ainda apuram e se houve acesso a processos sigilosos da Corte.

Para o professor Luiz Augusto D’Urso, advogado especialista em crimes virtuais, o episódio reforça a ‘necessidade de se repensar a segurança digital no Brasil’.

“Neste caso, segundo o que se apurou até agora, após a invasão, o criminoso criptografou as informações no servidor, e passou a exigir o pagamento de elevada quantia para a devolução do acesso a estas informações, cometendo o crime de extorsão na internet. Este episódio é um dos ataques mais graves na história de nosso país, em razão da importância e da quantidade de informações que podem ser perdidas”, afirma.

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