PDT pede ao Supremo afastamento de Guedes por ‘blindagem institucional’ em investigações sobre supostas fraudes em fundos de pensão

PDT pede ao Supremo afastamento de Guedes por ‘blindagem institucional’ em investigações sobre supostas fraudes em fundos de pensão

Em ação apresentada ao STF, partido sustenta que ministro da Economia já era alvo de inquéritos antes de assumir o cargo e agora usa posição no governo para 'estorvar lisura' das apurações; a reportagem do Estadão fez contato por email com a assessoria de imprensa do Ministério e aguarda resposta

Rayssa Motta e Paulo Roberto Netto

11 de agosto de 2020 | 21h42

O diretório nacional do PDT entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça, 11, pedindo o afastamento temporário do ministro da Economia, Paulo Guedes, até a conclusão de investigações conduzidas pela Polícia Federal e Ministério Público Federal que apuram se houve participação do economista em supostas fraudes em fundos de pensão por meio da gestora da qual ele era sócio antes de assumir o cargo no governo.

Documento

Quando os procedimentos investigatórios foram abertos, em outubro de 2018, Guedes afirmou, por meio de seus advogados, que a instauração da apuração é ‘uma afronta à democracia’ cujo principal ‘objetivo é o de confundir o eleitor’.

Na ação, o partido de oposição ao governo sustenta que antes de assumir o cargo, Guedes já era alvo dos inquéritos e agora é beneficiado por uma ‘blindagem institucional’ inerente à posição de ministro de Estado.

“Importante salientar que são vários os órgãos subordinados à estrutura Ministério da Economia e outros órgãos federais alvos de investigação, que estão sob a influência e interferência do Senhor Paulo Roberto Nunes Guedes”, diz um trecho do documento.

O ministro da Economia Paulo Guedes. Foto: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO

A sigla coloca sob suspeita nomeações feitas pelo ministro para os quadros da pasta, a exemplo do Secretário Especial Adjunto da Secretaria Especial de Fazenda, Pedro Colnago Júnior, denunciado na Operação Greenfield por suposta gestão temerária que provocou prejuízo de R$ 5,5 bilhões a fundos de pensão da Caixa Econômica, Vale, Banco do Brasil e Petrobrás. Para o PDT, os nomes foram escolhidos por Paulo Guedes para ‘estorvarem a lisura das investigações’.

“Guedes indicou e nomeou para o Ministério da Economia diversas pessoas que são alvos de investigação, e que executam suas determinações em face da política econômica por ele liderada. A situação se agrava principalmente pelo fato de que os nomeados têm com ele vínculos pessoais estreitos, não apenas pela trajetória acadêmica, mas também pela empresarial e societária. Denota-se, no ponto, nítido enlace do interesse privado com o público, em ordem a esbarrar na necessidade de se conferir efetivo prestígio aos princípios norteadores da Administração Pública, máxime o da moralidade”, alerta a ação.

No documento, o partido pede ainda que o Supremo solicite informações à Advocacia-Geral da União, Procuradoria-Geral da República e fundos de pensão estatais, como Petros, da Petrobrás, Postalis, dos Correios, e Funcef, da Caixa Econômica.

COM A PALAVRA, PAULO GUEDES
A reportagem fez contato por email com o Ministério da Economia por meio da assessoria de imprensa da pasta e aguarda resposta. O espaço está aberto para manifestações.

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