Ouça o plano de Delcídio do Amaral para barrar a Lava Jato

Ouça o plano de Delcídio do Amaral para barrar a Lava Jato

A conversa foi gravada por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, que participou de uma reunião com o líder do governo e o advogado da família, Edson Ribeiro

Adriano Ceolin

26 Novembro 2015 | 13h30

Delcídio do Amaral. Foto: Alex Silva/Estadão

Delcídio do Amaral. Foto: Alex Silva/Estadão

OUÇA A ÍNTEGRA DA CONVERSA

Numa conversa de 1h35 minutos, o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), revela seu plano para conseguir um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para tirar o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró da prisão e enviá-lo para fora do País. Em troca, Cerveró não faria acordo de delação premiada em que citaria o senador.

A conversa foi gravada pelo filho de Cerveró, Bernardo, que participou de uma reunião com Delcídio e o advogado da família, Edson Ribeiro.

Delcídio do Amaral foi preso nesta quarta-feira, 25, pela Polícia Federal, por ordem do Supremo. O senador foi detido por tentar barra as investigações da Operação Lava Jato.

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Também foram presos hoje o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, e o advogado Edson Ribeiro.

No último dia 18 de novembro, após intensas negociações, Cerveró fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Era esse o temor de Delcídio. O líder do governo tinha receio de que Cerveró o envolvesse no esquema de propinas na Petrobrás, estatal onde o petista trabalhou no setor de Óleo e Gás, no governo Fernando Henrique Cardoso.

Preso desde janeiro deste ano, Cerveró já foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato.

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COM A PALAVRA, A DEFESA DO SENADOR DELCÍDIO DO AMARAL

Nota Oficial

A defesa do Senador Delcídio do Amaral (PT-MS) manifesta inconformismo em relação à decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal e a convicção de que o entendimento inicial será revisto. Questiona-se o fato de que as imputações tenham partido de um delator já condenado, que há muito tempo vem tentando obter favores legais com o oferecimento de informações. Questiona-se também a imposição de prisão a um Senador da República que sequer possui acusação formal contra si. A Constituição Federal não autoriza prisão processual de detentor de mandato parlamentar e há de ser respeitada como esteio do Estado Democrático de Direito.

Maurício Silva Leite, advogado do Senador Delcídio do Amaral

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DO BTG PACTUAL:

“O BTG Pactual esclarece que está  à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e vai colaborar com as investigações.”