Ministro do TCU manda Alvarez & Marsal entregar documentos e dados sobre honorários de Moro na consultoria americana

Ministro do TCU manda Alvarez & Marsal entregar documentos e dados sobre honorários de Moro na consultoria americana

Bruno Dantas também pede, 'a título colaborativo', que empresa para a qual ex-juiz da Operação Lava Jato trabalhou antes de se lançar na política, filiado ao Podemos, detalhe processos de recuperação judicial em que atuou desde 2013

Pepita Ortega

28 de dezembro de 2021 | 10h32

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro. Foto: Adriano Machado / Reuters

O ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, determinou que a consultoria americana Alvarez & Marsal apresente os documentos ligados à saída do ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) da empresa em outubro, quando o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública se lançou na política. O ministro quer informações sobre os valores pagos ao presidenciável, incluindo as datas das transações.

O despacho foi assinado no último dia 17, e ainda pede que a empresa, ‘a título colaborativo’ informe o número de processos de recuperação em que atuou como administradora judicial desde 2013, detalhando quais empresas estavam em processo de recuperação, perante a quais varas da Justiça, além dos valores de honorários arbitrados pelos respectivos juízos.

Dantas acolheu pedido do subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, que quer apurar possíveis ‘prejuízos aos cofres públicos pelas operações supostamente ilegais dos membros da Lava Jato de Curitiba e do ex-juiz Sérgio Moro, afetando a empresa Odebrecht mediante práticas ilegítimas de revolving door’ – movimentação em que políticos ou servidores se tornam lobistas ou consultores na área em que atuavam -, e lawfare, ‘conduzido contra pessoas investigadas nas operações’ da força-tarefa.

Em ofício encaminhado ao gabinete do ministro do TCU no último dia 10, Furtado diz que ‘se avaliam questões relativas a possíveis conflitos de interesse, favorecimentos, manipulação e troca de favores entre agentes públicos e organizações privadas’.

Documento

Moro foi contratado pela Alvarez & Marsal após pedir demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública acusando o presidente Jair Bolsonaro de suposta tentativa de interferência política na Polícia Federal – tema de inquérito que tramita junto ao Supremo Tribunal Federal. O ex-aliado do chefe do Executivo, que deixou a magistratura para comandar o MJSP, se mudou para os Estados Unidos para área de ‘Disputas e Investigações’ da consultoria americana.

A A&M fornece serviços de consultoria, aprimoramento de desempenho de negócios e gestão de recuperação e atua, por exemplo, no processo de recuperação da Odebrecht – empreiteira que celebrou acordo de leniência com a Lava Jato e viu 77 de seus executivos fecharem delações premiadas, inclusive o patriarca Emílio Odebrecht e seu filho Marcelo Odebrecht, que foi condenado por Moro em diferentes ações penais.

Ministro do TCU Bruno Dantas. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Em seu perfil no Twitter, o ex-juiz da Lava Jato afirmou que ‘deixou o serviço público e trabalhou honestamente no setor privado para sustentar minha família’. “Nunca paguei ou recebi propina, fiz rachadinha ou comprei mansões”, escreveu.

“Não enriqueci no setor público e nem no privado. Não atuei em casos de conflito de interesses. Repudio as insinuações levianas do Procurador do TCU a meu respeito e lamento que o órgão seja utilizado dessa forma”, completou ainda o ex-juiz.

COM A PALAVRA, A ALVAREZ & MARSAL

A empresa está avaliando os termos da decisão e seguirá cooperando com as autoridades. O contrato com Sergio Moro, conforme já demonstrado anteriormente, obedeceu todos os trâmites de transparência legais bem como as regras de compliance.

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