Lava Jato SP mira propinas de R$ 50 mi delatadas por Palocci para enterrar a Castelo de Areia

Lava Jato SP mira propinas de R$ 50 mi delatadas por Palocci para enterrar a Castelo de Areia

Polícia Federal deflagrou Operação Appius nesta quinta, 7, e faz buscas contra alvos de investigação sobre arquivamento do inquérito de corrupção envolvendo a empreiteira Camargo Corrêa e agentes públicos em 2009

Pepita Ortega e Fausto Macedo

07 de novembro de 2019 | 07h15

Antonio Palocci. Foto: Andre Dusek/AE

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram na manhã nesta quinta, 7, a Operação Appius, para investigar supostas propinas pagas pela empreiteira Camargo Corrêa a agentes públicos com o objetivo de suspender e anular a Operação Castelo de Areia. A ação apura os crimes de corrupção passiva e ativa e de lavagem e ocultação de ativos.

A corporação cumpre mandados de busca e apreensão no apartamento do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Cesar Asfor Rocha, em Fortaleza.

Appius

Segundo a Polícia Federal, o nome da operação faz referência ao pretor romano corrupto Lucius Antonius Rufus Appius que dava sentenças favoráveis a quem lhe pagava melhor. Sua rubrica nas sentenças, L.A.R. Appius, deu origem à palavra larappius (larápio em português), sinônimo de ladrão.

Agentes cumprem quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo e Fortaleza. As ordens foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

A investigação tem como base a delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma).

A operação, desencadeada em abril 2019, investigava suposto esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e repasses ilícitos para políticos, não só em épocas eleitorais, envolvendo três executivos da Construtora Camargo Corrêa.

O advogado que representa a Camargo Corrêa, Celso Vilardi, reagiu às buscas da Polícia Federal realizadas nesta manhã e disse que ‘o lugar do sr. Palocci é na cadeia’.

Decisão do ministro Edson Fachin que redistribuiu as investigações sobre as revelações de Palocci resume os relatos do ex-ministro dos Governos Lula e Dilma. Foto: Reprodução

Em 2010, Asfor concedeu liminar, durante recesso do Judiciário, para suspender a ação penal decorrente da Castelo de Areia. Na época, era presidente do STJ. Um ano depois, a decisão foi confirmada pelo STJ, que arquivou o caso sob argumento de que o início do inquérito teve base em denúncia anônima.

Na delação, Palocci aponta ‘o pagamento indevido de R$ 50 milhões, por parte do Grupo Camargo Corrêa, às campanhas do PT no pleito do ano de 2010 e para o qual concorrera a ex-presidente Dilma Rousseff, com objetivo de obter auxílio do Governo Federal na anulação da Operação Castelo de Areia junto ao Superior Tribunal de Justiça’.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO QUE REPRESENTA A CAMARGO CORRÊA

O criminalista Celso Vilardi, que representa a empreiteira Camargo Corrêa, disse que ‘o lugar do sr. Palocci é na cadeia’.”A partir de agora, de forma incansável, comprovaremos a mentira e exigiremos um processo contra o sr. Palocci por denunciação caluniosa e o retorno dele à prisão, que é o seu lugar”, indicou.

“Eu considero que essa operação é um verdadeiro absurdo porque a delação do sr. Palocci não encontra respaldo sequer nas datas reais”, afirma Celso Vilardi. “Ele mentiu sobre a data da liminar.”

“É espantoso que uma delação recusada pelo Ministério Público Federal de Curitiba, considerada a ‘delação do fim da picada’, possa gerar buscas e apreensões, sem qualquer elemento de corroboração e com uma narrativa que não guarda relação nem mesmo com as datas.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ASFOR ROCHA

“Não é verdade que o escritório César Asfor Rocha Advogados tenha sido alvo de busca e apreensão, como se divulgou. Palocci dissemina mentiras com base no que diz ter ouvido falar. Por falta de consistência e provas, essa mesma ‘delação’ foi recusada pelo Ministério Público Federal.

Pelas falsidades, agora repetidas, o ex-ministro César Asfor Rocha registrará notícia-crime na Procuradoria-Geral da República e moverá ação penal contra o delinquente, além de ações cíveis por danos causados à sua imagem e à do escritório.”

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