Lava Jato acusa 12 por corrupção na Petrobrás e lavagem em favor da trading Vitol

Lava Jato acusa 12 por corrupção na Petrobrás e lavagem em favor da trading Vitol

Ministério Público Federal no Paraná aponta que as irregularidades 'foram praticados em 20 operações de compra e venda de óleos combustíveis e outros derivados'

Julia Affonso

20 Dezembro 2018 | 16h59

Petrobrás. Foto: PAULO VITOR/AGENCIA ESTADO/AE

A força-tarefa da Operação Lava Jato denunciou 12 investigados por corrupção na Petrobrás e lavagem de dinheiro supostamente em favor da gigante petrolífera Vitol nesta quinta-feira, 20. O Ministério Público Federal no Paraná aponta que as irregularidades ‘foram praticados em 20 operações de compra e venda de óleos combustíveis e outros derivados’.

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Os investigados são acusados por lavagem em 20 operações de trading de óleos combustíveis e outros derivados entre a empresa Vitol e a Petrobrás.

As informações foram divulgadas pelo Ministério Público Federal.

Esta é a segunda denúncia na investigação sobre supostas irregularidades envolvendo tradings bilionárias que mantêm negócios com a estatal. No último dia 14, a força-tarefa ofereceu acusações por corrupção e lavagem relacionadas à Trafigura, outra gigante do setor.

Nesta nova acusação da Lava Jato, são denunciados Carlos Henrique Nogueira Herz, Luiz Eduardo Loureiro Andrade, Bo Hans Vilhelm Ljungberg (‘agentes intermediários, que tinham a confiança dos executivos da Vitol para fomentar o esquema’), Carlos Roberto Martins Barbosa, Rodrigo Garcia Bewrkowitz, Marcus Antonio Pacheco Alcoforado, Cesar Joaquim Rodrigues de Lima e Jorge de Oliveira Rodrigues (‘ex-funcionários da Gerência Executiva de Marketing e Comercialização Petrobrás’), além de Gustavo Buffara Bueno, André Luiz dos Santos Pazza, Paulo Cesar Pereira Berkowitz e Deni França Moura (teriam atuado na lavagem da propina arrecadada pelos funcionários públicos).

Segundo a denúncia, foi constituído um grande esquema para praticar crimes em detrimento da Petrobrás que favoreceu trading companies, entre elas, a Vitol.

As investigações apontaram que as operações de compra e venda de óleos combustíveis e outros derivados entre a estatal petrolífera e a Vitol envolveram o pagamento de propinas de aproximadamente US$ 2,85 milhões – mais de R$ 11 milhões.

A Lava Jato aponta que as propinas foram pagas pela Vitol ‘para obter facilidades, preços mais vantajosos e operações de trading de óleos combustíveis e derivados de petróleo com maior frequência’.

De acordo com a investigação, para receberem a propina, ‘os funcionários públicos denunciados, ajustados com pessoas de sua confiança, praticaram vários crimes de lavagem de ativos para esconder o dinheiro sujo, mediante abertura de contas offshores no exterior, celebração de contratos de câmbio com justificativa falsa e conversão da propina em imóveis’.

Um farto material probatório que inclui, exemplificativamente, quebras de sigilo telemático, análise de mídias e documentos apreendidos na 44..ª fase da Lava Jato, os quais indicam a constância e a habitualidade do esquema criminoso, e-mails fictícios criados especificamente para finalidades espúrias em que eram usados pseudônimos e mensagens trocadas em que havia o uso predominante de linguagem cifrada – embasam a denúncia apresentada nesta data.
Desdobramentos da 57.ª fase da Lava Jato

Esta é a segunda denúncia do Ministério Público Federal relativa à 57.ª fase da operação. As investigações prosseguem em relação a outras trading companies e seus executivos, ‘bem como sobre a participação de outros funcionários públicos, no período em que o esquema perdurou, em prejuízo da Petrobrás’.

O Ministério Público Federal afirma que o esquema de corrupção investigado perdurou por pelo menos cinco anos, ‘no contexto de favorecimento da Vitol em operações de trading de óleos combustíveis na Petrobrás’.

“Estão em fase final de investigação um esquema criminoso envolvendo aluguel de tanques para estocagem de combustíveis e diversas outras operações de trading celebradas pela Petrobras com a Vitol, Glencore, Chemium e outras trading companies. Há indicativos de atualidade criminosa considerando que a investigação abrange outros dois funcionários da Petrobras, que estavam em exercício na data da deflagração da 57ª fase da operação da Lava Jato”, informa a Procuradoria da República.

Para o procurador Athayde Ribeiro Costa, integrante da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, ‘os desdobramentos da 57.ª fase demonstram que se instalou na Petrobrás uma organização criminosa destinada a praticar, de forma sistêmica e pulverizada, crimes de corrupção nas operações de trading de derivados de petróleo, no âmbito da área de comércio internacional da estatal’.

A procuradora Jerusa Burmann Viecili destaca que ‘novos fatos virão à tona em decorrência de aprofundamentos das investigações e da análise dos materiais arrecadados nas buscas e apreensões’.

Na avaliação de Jerusa Viecili, isto ‘explica a apresentação de indivíduos e empresas para colaborar com a Justiça, o que tende a gerar um efeito dominó’.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem busca contato com representantes da Vitol e com os defensores dos executivos denunciados. O espaço está aberto para manifestação.

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