Juiz intima Palocci para depor na ação contra Lula dos caças suecos

Juiz intima Palocci para depor na ação contra Lula dos caças suecos

Vallisney, da 10ª Vara Federal de Brasília rejeita pedido da defesa do ex presidente e marca para dia 18 depoimento do ex ministro dos Governos do PT que foi preso e condenado na Lava Jato e fechou delação premiada

Fábio Serapião/ BRASÍLIA, Igor Moraes e Fausto Macedo

24 de janeiro de 2019 | 15h02

Antonio Palocci. Foto: Andre Dusek/AE

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, intimou o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci para depôr no dia 18 de março em ação, no âmbito na Operação Zelotes, em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu pelos crimes de tráfico de influência, organização criminosa e lavagem de dinheiro na compra de caças Gripen pelo governo federal em 2012.

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Palocci detonou Lula em delação premiada, atribuindo ao ex-presidente suposto ‘pacto de sangue’ com a empreiteira Odebrecht no valor de R$ 300 milhões. O ex-ministro envolveu ainda seu antigo companheiro em propinas nas obras de Belo Monte.

Vallisney também convocou o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim para depor no mesmo dia.

Além de Lula, são réus na ação seu filho Luis Cláudio Lula da Silva e o casal de lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni.

Nelson Jobim. Foto: André Dusek/Estadão

Os depoimentos de Palocci e Jobim na ação haviam sido suspensos liminarmente, após pedido da defesa de Lula, pelo desembargador Néviton Guedes, do Tribunal Regional da 1ª Região, em novembro do ano passado.

Na denúncia, apresentada em 2016, o Ministério Público Federal acusou os réus por ‘negociações irregulares que levaram à compra de 36 caças do modelo Gripen, por cerca de R$ 5,4 bilhões, pelo governo brasileiro e à prorrogação de incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos por meio da Medida Provisória 627’.

Caças Grippen. Foto: Divulgação

Em 2015, o Estado revelou o esquema de tráfico de influência e compra de Medidas Provisórias atribuído ao ex-presidente na Zelotes.

Os procuradores afirmam que os crimes aconteceram entre 2013 e 2015, quando Lula, já ex-presidente, ‘integrou um esquema que vendia a promessa de que ele poderia interferir junto ao governo para beneficiar as empresas MMC, grupo Caoa e SAAB, clientes da empresa Marcondes e Mautoni Empreendimentos e Diplomacia LTDA (M&M)’.

Em troca, afirma a denúncia, Mauro e Cristina, donos da M&M, repassaram a Luis Cláudio pouco mais de R$ 2,5 milhões.

Em maio de 2017, o mesmo juiz Vallisney rejeitou um pedido da defesa de Lula para absolvição sumária do ex-presidente na ação.