Juiz da Lava Jato nega pedido de laranja de Ferro da Odebrecht

Juiz da Lava Jato nega pedido de laranja de Ferro da Odebrecht

Luiz Antonio Bonat mantém decreto de prisão contra advogado Nilton Serson, alvo da Carbonara Chimica por suposta lavagem de dinheiro

Ricardo Brandt e Luiz Vassallo

22 de agosto de 2019 | 18h03

Juiz federal Luiz Antônio Bonat. / Foto: Nathan D’Ornelas/TRF-4

O juiz federal Luiz Antonio Bonat, da Operação Lava Jato em Curitiba, negou nesta quinta-feira, 22, o pedido de revogação da prisão temporária do advogado Nilton Serson, suspeito de ser “laranja” na lavagem de dinheiro da Odebrecht, ligado ao ex-chefão jurídico do grupo, Maurício Ferro.

Serson teve prisão decretada pela Justiça Federal, alvo da fase 63 da Lava Jato, batizada de  Operação Carbonara Chimica.

Em pedido enviado a Bonat na tarde desta quinta, a defesa de Serson informou que o cliente mora em Miami e que vai se apresentar às autoridades no Brasil. Por meio de sua defesa, ele pediu a revogação da medida cautelar.

“Apesar da relevância das informações apresentadas pela defensora, o pleito é estranho aos presentes autos, pelo que não conheço do pedido”, decidiu Bonat.

Segundo o juiz da Lava Jato, a prisão de Nilton Serson “ainda está pendente de cumprimento”.

“O pedido de revogação da prisão temporária deverá ser formulado em em autos apartados, distribuído por dependência ao aludido processo de buscas e prisões, sob a classe ‘Pedido de Liberdade Provisória Com ou Sem Fiança’.”

Serson e Ferro tiveram prisão temporária decretada pelo juiz.

A nova fase da Lava Jato decorre da acusação do processo contra Guido Mantega, ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff, por acerto de R$ 50 milhões em propinas ao PT por favorecimento à Odebrecht na edição da Medida Provisória 470.

A Lava Jato descobriu que Serson recebeu R$ 78 milhões da Braskem, por intermédio de Ferro, de forma suspeita. Apuração interna da empresa apontou falta de documentos que comprovassem a efetivação dos serviços pagos. Documentos enviados pela Suíça também mostraram que Serson recebeu valores em uma conta secreta do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, a máquina de fazer propinas do grupo.

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