J&F se recusa a adiantar pagamento de leniência de R$ 11,4 bi para combate ao coronavírus

J&F se recusa a adiantar pagamento de leniência de R$ 11,4 bi para combate ao coronavírus

Luiz Vassallo

23 de março de 2020 | 18h30

JBS. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O Grupo J&F, que controla a JBS, se manifestou contra a proposta de adiantar o restante das parcelas de seu acordo de leniência de R$ 11,4 bilhões para que a cifra seja repassada ao Ministério da Saúde, com o fim de combater o coronavírus. A proposta havia sido feita pela força-tarefa da Operação Greenfield, que pediu à Justiça o redirecionamento de R$ 7,5 bilhões do acordo em benefício da União, para investimentos relacionados à contenção da pandemia.

O Estado apurou que representantes da hold deram a resposta por meio de videoconferência. Eles alegaram que o Grupo não pode adiantar o pagamento por dificuldades financeiras, mas analisaria a elaboração de uma contraproposta.

Os procuradores pediram à 10ª Vara Federal de Brasília que notificasse a hold sobre a ‘possibilidade de antecipar, até o fim do primeiro semestre de 2020, o pagamento do saldo devedor do valor estipulado no acordo de leniência firmado com Força-Tarefa Greenfield (cerca de R$ 11,4 bilhões, em valores atualizados pelo IPCA até fevereiro deste ano)’.

Pelo acordo, fechado inicialmente em 2017, a maior parte da verba seria destinada a cobrir prejuízos causados nos fundos de pensão, no FGTS, na Caixa Econômica Federal, no BNDES e à União. Em um pedido feito nesta sexta, 20, a Procuradoria propôs que uma parte (R$ 3,8 bilhões) ainda seja preservada para reparar o rombo no Petros e na Funcef. O restante, que iria para os bancos públicos, seria redirecionado para a Saúde.

Segundo o MPF, ‘pela presente proposta da Força-Tarefa Greenfield, o BNDES e a Caixa Econômica Federal devem abdicar em favor da União (Ministério da Saúde) dos valores de reparação que lhes eram dirigidos, o que não encontra óbice legal ou econômico, considerando que a União é acionista exclusiva de ambos bancos públicos’.

“Cumpre esclarecer que a possibilidade de destinação de valores ao Ministério da Saúde não deve envolver os valores de reparação já estipulados em favor dos fundos de pensão lesados, uma vez que os idosos (no caso, que foram vitimados pelos crimes apurados na Operação Greenfield) são as pessoas mais vulneráveis à pandemia do COVID- 19, devendo receber assim proteção prioritária por parte do Estado brasileiro”, diz a força-tarefa.

COM A PALAVRA, J&F

NOTA J&F INVESTIMENTOS

Todos os esforços das empresas do grupo J&F, de Joesley e Wesley Batista, estão direcionados para o combate ao coronavírus e à manutenção dos empregos gerados pela holding. O Grupo atua em atividades essenciais, de produção de alimentos e de produtos de higiene e limpeza para as famílias brasileiras.

No Brasil, o grupo emprega mais de 130 mil pessoas diretamente e 500 mil indiretamente. Na maior crise de saúde pública e, possivelmente, o maior desafio econômico e financeiro mundial dos últimos tempos todas as decisões precisam de racionalidade e principalmente responsabilidade tanto da empresa quanto da “Força-Tarefa Greenfield”.

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