Hackers de Moro dividem cela da Papuda com Geddel

Hackers de Moro dividem cela da Papuda com Geddel

Três suspeitos de terem invadido as mensagens privadas do ministro da Justiça e Segurança Pública compartilham espaço com o ex-ministro do ex-presidente Michel Temer, preso depois que a PF encontrou uma fortuna de R$ 50 milhões em um apartamento ligado a ele

Patrick Camporez/Brasília

12 de novembro de 2019 | 18h12

Os hackers não estão sozinhos. Numa cela isolada da Papuda, em Brasília, os três suspeitos de terem invadido as mensagens privadas de Sérgio Moro e procuradores do Ministério Público dividem espaço com Geddel Vieira Lima, o ex-ministro do ex-presidente Michel Temer preso depois que a PF encontrou uma fortuna de R$ 50 milhões em um apartamento ligado a ele.

Na ação penal 1030, Geddel e seu irmão, o ex-deputado Lúcio Vieira Lima (MDB), respondem por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

No início de setembro, o Estado mostrou que o hacker Walter Delgatti Neto Moro se dizia “satisfeito com as amizades feitas dentro do presídio”, dentre elas a aproximação com Geddel.

Passados dois meses, Walter está mais próximo de Geddel. O ex-ministro, inclusive, se mudou para a mesma ala de Walter, a dos “vulneráveis”. Nela, estão presos apenas Geddel e os suspeitos de hackeamento, Danilo Cristiano Marques e Gustavo Elias Santos.

A pedido da reportagem, o defensor federal Igor Roque questionou Walter Delgatti Neto, o “Vermelho”, sobre como tem sido os dias atrás das grades. A fase de satisfação com as amizades, relatou Walter ao defensor, deu lugar a “um profundo sentimento de resignados com a prisão”.

“Os três consideram que a polícia já colheu o que tinha colhido de prova. A prisão está sendo usada como meio de tortura para eles falarem o que não têm para falar. Sentem um misto de tristeza com tortura”, disse Roque.

Procurada, a Polícia Federal não se manifestou sobre as declarações de Walter ao defensor público.

COM A PALAVRA, A POLÍCIA FEDERAL
A reportagem entrou em contato com a Polícia Federal e aguarda resposta. O espaço está aberto a manifestações (patrik.camporez@estadao.com)

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