‘Vermelho’ diz que PF proibiu banho de sol antes de instalar microfone espião

‘Vermelho’ diz que PF proibiu banho de sol antes de instalar microfone espião

O motivo da privação, segundo o hacker, seria a instalação do sistema de grampo

Patrik Camporez/BRASÍLIA

12 de novembro de 2019 | 18h06

Suspeito de liderar o grupo criminoso que invadiu as mensagens do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e  procuradores da Lava Jato, o estudante Walter Delgatti Neto, conhecido como ‘Vermelho’, afirma que a Polícia Federal privou os presos da Operação Spoofing de tomarem banho de  sol durante o período em que eles teriam sido alvos de um grampo na carceragem da instituição.

Walter Delgatti Neto, o Vermelho, em foto postada com dólares. Foto: Estadão

O motivo da privação, segundo o hacker, seria a instalação do sistema de grampo, que passava pela parede entre a área do banho de sol e a cela onde está detido com outros dois acusados de fazerem as invasões.

Nesta segunda-feira, o Estado revelou que a corregedoria da Polícia Federal abriu uma investigação para apurar a instalação de um equipamento ilegal de gravação no chuveiro da carceragem da superintendência da PF, em Brasília. Dos cinco suspeitos de integrarem o grupo de hackers, dois – Luiz Henrique Molição e Thiago Eliezer Martins -, cumprem pena na Superintendência, onde o grampo teria sido encontrado.

Além deles, outros três presos da operação cumprem pena no complexo da Papuda, também em Brasília, mas costumam passar noites na carceragem da PF quando precisam prestar depoimentos. Vermelho era um dos que estavam na carceragem da PF, junto com Molição e Thiago, no dia em que o grampo foi descoberto há cerca de duas semanas.

Nesta terça-feira, 12, o defensor federal Igor Roque, que atende Danilo Marques, esteve no complexo da Papuda. A pedido do Estado, o defensor colheu de Vermelho o relato sobre o dia em que o microfone teria sido encontrado na carceragem da Superintendência. Apesar de atuar na defesa de outro suspeito – Danilo Marques -, o defensor Federal disse ter interesse no relato de Walter Delgatti Neto, já que, segundo Roque, “o inquérito pode estar todo afetado pelas escutas ilegais”.

Roque encontrou Walter na “ala de vulneráveis” da Papuda. Vermelho disse que foi conduzido para a superintendência para prestar depoimento.  O que o suspeito se queixou, logo de início, é que nenhum depoimento teria sido colhido durante os quatro dias em que esteve na carceragem. Walter reclama, por isso, que foi levado para a superintendência “apenas para ser gravado”.

Um dia antes de Walter chegar à carceragem, relatou ele, a área de banho de sol dos presos da Spoofing foi completamente fechada. “Isso o Walter ficou sabendo com o Thiago e o Molição. Pelo que ele me contou, tem um local de banho de sol que é dividido, colado com a parede da cela. Nessa parede, no canto superior, tem um cano no alto para fazer circulação de ar. Ele disse que, no dia anterior à chegada dele, o Thiago e o Molição foram retirados de lá para serem ouvidos em outra unidade da PF. Depois, eles voltaram”.

Segundo Walter, desse dia em diante os detentos pararam de ter acesso ao banho de sol. “Segundo eles, se tivessem banho de sol, daria para ver a fiação saindo pelo cano do lado de fora da cela. Quando Walter já estava na cela com Thiago, e são duas celas, eles viram uma sombra dentro do cano. Ele deu um calço para o Thiago. O Thiago subiu na cacunda dele, nas costas. Ele viu um microfone dentro do cano. Ele puxou, o fio ‘torou’, e realmente tinha um equipamento enrolado com fita isolante. Era o gravador”.

Segundo o defensor, o gravador foi encontrado no interior do encanamento, na parede do chuveiro. “Walter e Thiago encontraram juntos o equipamento. Eles entregaram para a Corregedoria da Polícia Federal e a Corregedoria já tomou as oitivas deles. Walter falou com a corregedoria da Polícia Federal na hora. Todo mundo se fez de desentendido. Alguns agentes agiram com ar de indignação, achando um absurdo”.

COM A PALAVRA, A POLÍCIA FEDERAL
A reportagem entrou em contato com a Polícia Federal e aguarda resposta. O espaço está aberto a manifestações (patrik.camporez@estadao.com)

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