Grupo ‘300 do Brasil’ não recebe apoio de partidos nem do governo, diz Sara Winter à PF

Grupo ‘300 do Brasil’ não recebe apoio de partidos nem do governo, diz Sara Winter à PF

Militante bolsonarista foi presa nesta segunda no âmbito de inquérito aberto para apurar a organização e financiamento de protestos antidemocráticos

Breno Pires/BRASÍLIA

15 de junho de 2020 | 20h52

A ativista Sara Fernanda Giromini, presa nesta segunda-feira, 15, disse em depoimento à Polícia Federal que o grupo ‘300 do Brasil’ não recebe apoio de partidos políticos nem do governo federal. A prisão de Sara e outros cinco integrantes do ‘300 do Brasil’ foi pedida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um inquérito aberto para apurar a organização e o financiamento de protestos antidemocráticos.

“O grupo dos ‘300 do Brasil’ apoiam o presidente Bolsonaro, mas não recebem nenhum tipo de apoio financeiro ou de outra espécie do governo”, disse Sara em depoimento prestado na tarde desta segunda-feira. 

Segundo a extremista, nem o grupo ‘300 do Brasil’ nem ela recebem ‘qualquer tipo de apoio de partido político’ ou de governos federais, estaduais, distritais ou municipais.

A ativista bolsonarista Sara Winter. Foto: Instagram / Reprodução

A militante bolsonarista ficou em silêncio após algumas perguntas da Polícia Federal. Entre elas, deixou de responder sobre o objetivo do grupo. Também não quis comentar o vídeo que transmitiu nas redes sociais com ameaças ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, relator do caso dos protestos antidemocráticos e do inquérito das fake news. Foi o ministro quem determinou a prisão de Sara.

“Eles não vão me calar, de maneira nenhuma. Pelo contrário, eu sou uma pessoa extremamente resiliente. Pois agora, meu… e não é que ele mora em São Paulo? Porque se estivesse aqui eu já estaria na porta da casa dele convidando ele para ‘trocar soco’ comigo. Juro por Deus, essa é a minha vontade. Eu queria trocar soco com esse ‘filha da puta’ desse ‘arrombado’! Infelizmente não posso, mas eu queria. Ele mora lá em São Paulo, né? Pois você me aguarde, Alexandre de Moraes. O senhor nunca mais vai ter paz na vida do senhor!”, esbravejou a ativista no vídeo, divulgado no mês passado.

Sara ainda negou envolvimento no ato em que fogos de artifício foram lançados em direção ao edifício do Supremo no último sábado, 13. Segundo a apoiadora bolsonarista, o grupo ‘300 do Brasil’ não teve relação com os disparos.  “Esse ato foi realizado por outro grupo desconhecido, sem conexão com os ‘300 do Brasil’”, disse Sara Winter.

Tochas. O grupo participou de um ato com tochas e máscaras de filmes de terror há duas semanas do lado de fora do prédio do Supremo Tribunal Federal, mas de maneira pacífica e sem depredar patrimônio público, segundo Sara Winter. Segundo ela, o grupo pediu permissão à Polícia Militar do DF para realizar aquele ato.

“O grupo dos ‘300 do Brasil’ é mais voltado à desobediência civil e a ações não violentas”, disse.

Protesto com tochas em frente ao STF. Foto: Reprodução / Twitter

Naquela ocasião, integrantes do STF apontaram semelhanças entre o protesto de Sara Winter e a manifestação de neonazistas e membros da Ku Klux Klan que ocorreu em 2017 na cidade de Charlottesville, nos Estados Unidos. A “KKK” é organização racista dos Estados Unidos que prega a supremacia branca e já praticou inúmeros atos violentos contra negros.

Os integrantes do movimento estavam acampados até o sábado na Esplanada dos Ministérios, próximo ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, mas foram desalojados pela Polícia Militar do Distrito Federal, por ordem do governador Ibaneis Rocha.

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