Governo Doria quer 15 mil testes de coronavírus apreendidos com chineses para hospitais de SP

Governo Doria quer 15 mil testes de coronavírus apreendidos com chineses para hospitais de SP

Em ofício à Polícia Civil, o secretário de Saúde, José Henrique Germann Ferreira, pede que o material confiscado com o empresário Marcos Zheng e outros 13, que também envolve 2 milhões de equipamentos de proteção, seja redirecionado para os profissionais de saúde do Estado

Luiz Vassallo

16 de abril de 2020 | 11h00

Imagem da Polícia recolhendo o material apreendido. Foto: Polícia Civil

O governo João Doria (PSDB) pediu à Polícia que destine aos hospitais estaduais de São Paulo os 15 mil testes de coronavírus e 2 milhões de equipamentos de proteção apreendidos em operação da Polícia Civil que levou o empresário Marcos Zheng e outros 13 para a cadeia (Leia tudo a respeito, em reportagem especial). A Polícia Civil de São Paulo quer que parte do material seja usada para proteger policiais.

Em ofício à Justiça, o secretário de Saúde, José Henrique Germann Ferreira, afirma que ‘a maioria desses materiais depende de importação e esta nem sempre ocorre com agilidade que se deseja’.

“Neste sentido, apela a V. Exa. que destine o material apreendido para a Secretaria da Saúde, o que certamente contribuirá para minimizar a ameaça à incolumidade física dos médicos, enfermeiros, e demais servidores das equipes de saúde, e os riscos de contágio à sociedade paulista”, afirma.

A Polícia apreendeu a carga neste sábado, 11 – sobre os exames, há suspeita de que tenham sido roubados de um terminal de carga do Aeroporto de Guarulhos. Entre os presos, estão Marcos Zheng, presidente da Associação Shangai no Brasil e vice da Associação Chinesa do Brasil, e Fu Zihong, seu amigo que assumiu ser dono e ter comprado somente os equipamentos de proteção. No local, foram apreendidas também armas de grosso calibre, como uma carabina calibre 40, uma espingarda calibre 12 e três pistolas calibre 38.

Já a Polícia Civil pediu para seus agentes e delegados o material apreendido sem origem comprovada. Segundo os policiais, boa parte das máscaras apreendidas teve a origem comprovada. É que o Armarinhos Fernando afirmou aos investigadores ter vendido os EPIs a Fu Zihong.

Até o momento, ninguém assumiu os 15 mil testes de coronavírus apreendidos, e também parte das máscaras permanece sem comprovação de origem. No depoimento do representante do Armarinhos Fernando, ele diz ter recebido R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo pelas máscaras das mãos de Fu. Por isso, a Polícia suspeita agora de lavagem de dinheiro. O material todo vai continuar apreendido.

A Polícia quer ficar com álcool gel, máscaras, macacões, termômetros e óculos de segurança cuja origem Fu não conseguiu comprovar.

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