Ex-diretor da Hypermarcas incluiu senador do PSDB em delação

Ex-diretor da Hypermarcas incluiu senador do PSDB em delação

Nelson Mello, delator, apontou em delação premiada supostos repasses de R$ 11,5 milhões para a campanha de Paulo Bauer (PSDB/SC) ao governo de Santa Catarina, em 2014

Fabio Serapião/BRASÍLIA e Fausto Macedo

23 de abril de 2018 | 13h54

Paulo Bauer. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado[/caption

O delator Nelson Mello, ex-diretor de Relações Institucionais Hypermarcas, atual Hypera Pharma, incluiu em seu acordo de colaboração premiada repasses de R$ 11,5 milhões para a campanha do atual senador Paulo Bauer (PSDB-SC) ao governo de Santa Catarina, em 2014. Os repasses, segundo Mello, teriam sido feitos por meio de contratos fictícios com três empresas.

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A revelação do delator deu origem a uma petição autônoma instaurada pelo ministro Edson Fachin, no Supremo Tribunal Federal (STF). O Estado revelou que a PF investiga se Mello omitiu informações em sua delação para proteger o maior acionista da Hypera Pharma, João Alvez Queiroz Filho, e o CEO da empresa, Cláudio Bergamo. Os dois foram alvos de busca e apreensão na operação Tira-Teima, deflagrada pela PF na terça-feira, dia 10.

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A informação sobre os repasses ao senador foi encaminhada à Procuradoria-geral da República após Mello ser questionado em 4 de julho do ano passado, meses após fechar seu acordo, sobre pagamentos da farmacêutica para as empresas Ycatu Saneamento, Prade & Prade Advogados e Instituto Paraná Pesquisas.

“Que os nomes das empresas inicialmente mencionadas, Ycatu, Prade e Prade Advogados e Instituto Paraná, tem quase absoluta certeza que não foram com o Milton Lyra; que apenas Funaro e Milton Lyra pediram a celebração de contratos fictícios ao depoente”, disse Mello à PGR no início de junho.

Cerca de 20 dias após essa primeira versão sobre os contratos, Mello, por meio de seu advogado, enviou à PGR “esclarecimentos adicionais”. No documento, o delator disse explica que nunca teve “motivo para ocultar a existência destes contratos e a omissão decorreu da circunstância de estar focado apenas nas pessoas de Lúcio Funaro e Milton Lyra.” Os dois, apontados como operadores do MDB, foram os únicos citados na primeira versão da delação de Mello como intermediários de repasses para parlamentares do MDB.

Na segunda versão, entregue em 28 de julho, Mello incluiu os repasses às três empresas e explicou que “tais contratos, sem a efetiva prestação de serviços, foram firmados para ocultar· doação não declarada de valores para a campanha do senador Paulo Bauer, em 2014, para o governo de Santa Catarina”.

“A doação foi feita porque o declarante considerou importante desenvolver laços políticos com parlamentar influente do PSDB, que concorre ao governo estadual e participava ativamente de assuntos relacionados à guerra fiscal entre os estados e à indústria farmacêutica”, disse Mello.

COM A PALAVRA, O SENADOR PAULO BAUER

O senador Paulo Bauer (PSDB-SC), por meio de sua assessoria, disse que todos os recursos utilizados na campanha de 2014 ‘foram rigorosamente contabilizados, tendo sido as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral” e que defende “que a Justiça cumpra o seu papel e que os órgãos de investigação realizem com isenção e liberdade total o trabalho que a Constituição Federal lhes atribui’.

COM A PALAVRA, O INSTITUTO PARANÁ PESQUISAS

O Instituto Paraná Pesquisas, em nota, afirma que tem ‘compromisso com a excelência no trabalho, com respeito à verdade, à integridade e à retidão’ e que ‘está à disposição das autoridades para prestar qualquer esclarecimento necessário e comprovar que jamais desviou-se do caminho da integridade’.

COM A PALAVRA, A HYPERA PHARMA

“A Companhia reitera que (a) está colaborando e colaborará com as investigações; (b) os atos praticados pelo ex-executivo foram objeto de auditoria conduzida por assessores externos, a qual concluiu que o Sr. Nelson José de Mello autorizou, por iniciativa própria, despesas sem as devidas comprovações das prestações de serviços; (c) foi ressarcida pelos prejuízos sofridos; e (d) não se beneficiou de quaisquer atos praticados isoladamente pelo ex-executivo.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO PÉRICLES PRADE, DO PRADE & PRADE ADVOGADOS

“Fui, realmente, contratado pela empresa Hypermarcas, a exemplo de tantas outras, no curso de minha vida profissional. Asseguro que sequer um real repassei ao Senador Paulo Bauer, visando à campanha ao governo do Estado em 2014, ou com propósito distinto. Trata-se de evidente mal-entendido. Fizeram simples ilação, suponho, porque há tempo atuo como advogado do parlamentar perante o STF, a Justiça Estadual e o TCE/SC. Inexiste contrato fictício com o meu escritório. Na fase própria prestarei os esclarecimentos necessários. Não neste momento, até porque ajo sob o signo da confidencialidade.”

COM A PALAVRA, A YCATU
Londry Turra, presidente da Icatu Engenharia e Saneamento, se manifestou
“O atual proprietário da Icatu declara que em 2014, nem ‘sonhava’ com a empresa chamada Ycatu e, também, que antes disso e mesmo passados 2 anos que está na administração/gestão da empresa, nunca havia tido qualquer tratativa com o senador Paulo Bauer, conhecendo-o apenas de nome.”
“No final de 2015, ela me foi oferecida pelo ex-proprietário, achei que seria um bom negócio, consegui um sócio para a aquisição e a 2 anos e 2 meses assumi a gestão da mesma.”
“Troquei o nome para Icatu com ‘i’, num processo de atualização da marca, trabalhamos dentro de um código de conduta e de ética e conseguimos junto aos públicos com os quais nos relacionamos uma reputação que estamos tomando muito cuidado, para que os últimos acontecimentos não a maculem.”

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