Reunião ministerial: ‘Eu sou o chefe supremo das forças armadas, ponto final’, diz Bolsonaro

Reunião ministerial: ‘Eu sou o chefe supremo das forças armadas, ponto final’, diz Bolsonaro

Durante a reunião do dia 22 de abril, o presidente defendeu sua participação em ato antidemocrático contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal e disse que 'havendo necessidade, qualquer dos poderes pode pedir que às Forças Armadas que intervenham para restabelecer a ordem no Brasil'

Rafael Moraes Moura, Julia Lindner, Jussara Soares, Amanda Pupo, Paulo Roberto Netto, Bianca Gomes, Marcelo Godoy, Rayssa Motta e Pepita Ortega

22 de maio de 2020 | 18h39

O presidente Jair Bolsonaro fala com a imprensa no Palácio da Alvorada. Foto: Gabriela Biló/Estadão

O presidente Jair Bolsonaro defendeu sua participação em ato antidemocrático contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) que ocorreu em frente ao Quartel General do Exército e afirmou que ele é o chefe supremo das Forças Armadas. A declaração foi dada em reunião ministerial no dia 22 de abril, quando Bolsonaro também disse que, “havendo necessidade, qualquer dos poderes pode pedir que às Forças Armadas que intervenham para restabelecer a ordem no Brasil”.

“Eu sou o chefe supremo das Forças Armadas. Ponto final. O pessoal tava lá, eu fui lá. Dia do Exército. E falei algo que eu acho que não tem nada demais. Mas a repercussão é enorme”, afirmou o mandatário.

O presidente disse ainda que os poderes podem pedir intervenção das Forças Armadas se for preciso. “E havendo necessidade, qualquer dos poderes, pode, né? Pedir às forças armadas que intervenham para restabelecer a ordem no Brasil, naquele local sem problema nenhum. Agora todos, né? Tem que se preocupar com a questão política, e a quem de direito, tira a cabeça da toca, porra.”

Na manifestação do dia 19 de abril, Bolsonaro pregou o fim da “patifaria” e disse que não iria “negociar nada”. Ele discursou a seguidores que exibiam inscrições favoráveis a um novo AI-5, o mais duro da ditadura militar.

Na reunião ministerial, o presidente minimizou as referência de seus apoiadores ao ato. “Quando a Câmara faz lá dentro uma homenagem a Che Guevara, a Mao Tse-Tung e tudo mais, não tem problema nenhum. Quando o Partido Comunista do Brasil faz suas convenções e idolatram lá Fidel Castro, entre outros, não tem problema nenhum. Quando um coitado levanta uma placa de Al-5, que eu tô me lixando para aquilo, porque não existe AI-5. Não existe.”

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