Entenda de onde veio e para onde foi o Bouboulina

Entenda de onde veio e para onde foi o Bouboulina

Polícia Federal reconstitui trajeto do petroleiro grego que passou por águas brasileiras e entre 28 e 29 de julho teria derramado o petróleo bruto a 730 quilômetros da costa da Paraíba e depois zingrou para Singapura

Pedro Prata e Pepita Ortega

01 de novembro de 2019 | 14h43

O delegado de Polícia Federal Agostinho Cascardo, um dos responsáveis pela investigação no Rio Grande do Norte, disse nesta sexta, 1º, que o navio mercantil de bandeira grega Bouboulina se abasteceu na Venezuela próximo ao dia 18 de julho, no porto de José. Lá, ficou por aproximadamente três dias, antes de zarpar com destino a Cingapura. Em seu caminho para o país do sudeste asiático, passou a cerca de 730 km da costa da Paraíba entre os dias 28 e 29 de julho.

O trajeto do Boubolina. Foto: Reprodução

Graças a imagens de satélite fornecidas por uma empresa privada, o setor de geointeligência da PF pôde identificar uma mancha de petróleo no local que teria sido o início do vazamento que já poluiu 250 praias em todos os nove estados do Nordeste.

Segundo o delegado Agostinho Cascardo, foram analisadas 826 imagens. “Temos uma foto do dia 28 em que não havia mancha nenhuma no local. E temos uma foto do dia 29 às 11h55 com uma mancha de tamanho considerável no local.”

O trajeto do Boubolina. Foto: Reprodução

A Marinha confirmou que o navio Bouboulina era o único que poderia ter deixado aquela mancha no local identificado naquele momento.

O navio não chegou a atracar no porto de Cingapura, e voltou para a África do Sul. Ali atracou, antes de seguir para a Nigéria. Atualmente ele se encontra atracado na costa da África.

Foram expedidos cinco pedidos de cooperação policial para cinco países diferentes por meio da Interpol.

OUÇA O DELEGADO AGOSTINHO CASCARDO:

A Polícia Federal deflagrou a Operação Mácula na manhã desta sexta, 1º, para colher provas junto a duas empresas no Rio de Janeiro que mantiveram relações comerciais com a responsável pelo navio. Elas não são acusadas pelo crime.

As ordens foram expedidas pela 14ª Vara Federal Criminal de Natal (RN).

Possibilidade de dois crimes

A empresa responsável pelo petróleo poderá ser enquadrada em dois crimes ambientais, segundo o delegado Agostinho Cascardo. “São dois crimes: o crime que é de poluição, previsto no artigo 54, e que falta definir se é culposo ou doloso. Uma hipótese prevê pena de seis meses a um ano; a outra, de um a cinco anos.”

O segundo crime seria o de deixar de cumprir algo que a lei ambiental determina. “No caso, foi deixar de informar o derramamento ou descarte de petróleo no mar.”

O navio tem capacidade para transportar 80 mil toneladas de petróleo, o que não o classifica como um petroleiro de grande porte.

COM A PALAVRA, A LACHMANN AGÊNCIA MARÍTIMA

“A Lachmann Agência Marítima esclarece que não é alvo da investigação da Polícia Federal. A agência foi tão somente solicitada pela Polícia Federal a colaborar com as investigações. A agência segue à disposição das autoridades para quaisquer informações adicionais.

Fundada em 1927, a Lachmann Agência Marítima atende vários navios de diversos armadores que escalam os portos brasileiros, fornecendo serviços relacionados à entrada e saída nos portos. Esses serviços correspondem ao atendimento das normas relacionadas aos órgãos anuentes, como Anvisa, Capitania dos Portos, Polícia Federal, Receita Federal, Docas e outros, e coordenação da contratação de serviços portuários relacionados, como praticagem, rebocadores, lanchas de amarração e outros.

A agência marítima é uma prestadora de serviços para as empresas de navegação, não tendo nenhum vínculo ou ingerência sobre a operacionalidade, navegabilidade e propriedade das embarcações.”

COM A PALAVRA, A WITT O BRIEN’S

“Na manhã desta sexta-feira (01/11), a Polícia Federal esteve na sede do escritório da Witt O’Brien’s Brasil, no Rio de Janeiro, para ação da operação “Mácula”, que investiga a procedência do atual vazamento de óleo na costa brasileira.

Prezando pela transparência, a Witt O’Brien’s informa que, esse navio ou seu armador JAMAIS foi cliente da Witt O’Brien’s no Brasil, e que o Brasil não exige que navios tenham contratos pré-estabelecidos para combate a emergências.

A Witt O’Brien’s Brasil informa também que países como Canadá, Estados Unidos, Panamá e Argentina exigem que os navios que se dirigem aos seus portos tenham contratos pré-estabelecidos com empresas de atendimento e gerenciamento de emergências.

A Witt O’Brien’s americana é uma das grandes provedoras desse tipo de serviço de prontidão para gerenciamento de emergências em navios nos Estados Unidos, porém seus contratos não guardam nenhuma relação com a empresa no Brasil.

No Brasil, esse tipo de exigência não existe e esse tipo de contrato não é praticado pela Witt O’Brien’s Brasil.

A Witt O’Brien’s Brasil afirma que está à disposição das autoridades brasileiras e que contribuirá com todas as informações necessárias.”

COM A PALAVRA, A DELTA TANKERS

A reportagem tenta contato com a empresa. O espaço está aberto apara manifestações.

 

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