Bouboulina, o navio grego

Bouboulina, o navio grego

Leia a decisão do juiz federal Francisco Eduardo Guimarães, da 14ª Vara Federal de Natal, que mandou deflagrar a Operação Mácula na manhã desta sexta, 1, que mira petroleiro de bandeira grega supostamente responsável pelo derramamento de óleo que atingiu mais de 250 praias nordestinas

Pepita Ortega e Fausto Macedo

01 de novembro de 2019 | 17h15

Foto: Reprodução

Bouboulina é o nome do navio petroleiro de bandeira grega supostamente responsável pelo derramamento de óleo que atinge a costa nordestina. De propriedade da Delta Tankers, a identificação do navio mercante motivou a Operação Mácula, deflagrada na manhã desta sexta, 1, pela Polícia Federal, por ordem do juiz Francisco Eduardo Guimarães, da 14ª Vara Federal de Natal.

A ação cumpre dois mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro – nos endereços da Lachmann Agência Martítima e da empresa Witt O Brien’s. As companhias teriam relação com o navio petroleiro de bandeira grega.

Segundo o delegado Agostinho Cascardo, um dos responsáveis pela investigação no Rio Grande do Norte, as empresas não são suspeitas em princípio, mas podem ter arquivos, informações e dados que sejam úteis às investigações.

Documento

A representação da PF indica que agência marítima Lachmann seria o agente marítimo da Delta Tankers no Brasil, tendo representado a mesma em março, junho e setembro de 2019. Após contato da Marinha, a Lachmann teria indormado que que conseguira obter, por meio de website internacional, uma relação de navios mercantes com ‘Indivíduos Qualificados’.

A relação encaminhada pelo agente marítimo à Marinha elencava a empresa Witt O Brien’s como ‘Indivíduo Qualificado’ do NM Bubolina.

De acordo com nota conjunta divulgada pelo Ministério da Defesa, pela Marinha e pela Polícia Federal, por meio de geointeligência a PF identificou uma imagem satélite do dia 29 de julho relacionada a uma mancha de óleo a 733,2 km (cerca de 395 milhas náuticas) a leste do estado da Paraíba. Segundo os órgãos, essa imagem foi comparada com imagens de datas anteriores, em que não foram identificadas manchas.

Considerando que análises de laboratório haviam indicado que o óleo coletado nas praias do Nordeste, as investigações trabalharam com  dados de carga, portos de origem, rota de viagem e informações de armadores.

“Dos 30 navios suspeitos, um navio tanque de bandeira grega encontrava-se navegando na área de surgimento da mancha, na data considerada, transportando óleo cru proveniente do terminal de carregamento de petróleo San José, na Venezuela, com destino à África do Sul”, informa a nota. O cruzamento das imagens de satélite com os outros dados apontaram esse navio como principal suspeito.

Segundo a Marinha, o Boubolina ficou detido nos Estados Unidos por quatro dias, devido a ‘incorreções de procedimentos operacionais no sistema de separação de água e óleo para descarga no mar’.

De acordo com a Polícia Federal, a embarcação, de bandeira grega, atracou na Venezuela em 15 de julho, onde permaneceu no País por três dias. Depois seguiu rumo a Singapura, pelo oceano Atlântico, tendo aportado na África do Sul.

COM A PALAVRA, A LACHMANN AGÊNCIA MARÍTIMA

“A Lachmann Agência Marítima esclarece que não é alvo da investigação da Polícia Federal. A agência foi tão somente solicitada pela Polícia Federal a colaborar com as investigações. A agência segue à disposição das autoridades para quaisquer informações adicionais.

Fundada em 1927, a Lachmann Agência Marítima atende vários navios de diversos armadores que escalam os portos brasileiros, fornecendo serviços relacionados à entrada e saída nos portos. Esses serviços correspondem ao atendimento das normas relacionadas aos órgãos anuentes, como Anvisa, Capitania dos Portos, Polícia Federal, Receita Federal, Docas e outros, e coordenação da contratação de serviços portuários relacionados, como praticagem, rebocadores, lanchas de amarração e outros.

A agência marítima é uma prestadora de serviços para as empresas de navegação, não tendo nenhum vínculo ou ingerência sobre a operacionalidade, navegabilidade e propriedade das embarcações.”

COM A PALAVRA, A WITT O BRIEN’S

“Na manhã desta sexta-feira (01/11), a Polícia Federal esteve na sede do escritório da Witt O’Brien’s Brasil, no Rio de Janeiro, para ação da operação “Mácula”, que investiga a procedência do atual vazamento de óleo na costa brasileira.

Prezando pela transparência, a Witt O’Brien’s informa que, esse navio ou seu armador JAMAIS foi cliente da Witt O’Brien’s no Brasil, e que o Brasil não exige que navios tenham contratos pré-estabelecidos para combate a emergências.

A Witt O’Brien’s Brasil informa também que países como Canadá, Estados Unidos, Panamá e Argentina exigem que os navios que se dirigem aos seus portos tenham contratos pré-estabelecidos com empresas de atendimento e gerenciamento de emergências.

A Witt O’Brien’s americana é uma das grandes provedoras desse tipo de serviço de prontidão para gerenciamento de emergências em navios nos Estados Unidos, porém seus contratos não guardam nenhuma relação com a empresa no Brasil.

No Brasil, esse tipo de exigência não existe e esse tipo de contrato não é praticado pela Witt O’Brien’s Brasil.

A Witt O’Brien’s Brasil afirma que está à disposição das autoridades brasileiras e que contribuirá com todas as informações necessárias.”

COM A PALAVRA, A DELTA TANKERS

A reportagem tenta contato com a empresa. O espaço está aberto apara manifestações.

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