Em vídeo, Bolsonaro teria relacionado divulgação de exame de covid-19 a processo de impeachment

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Em vídeo, Bolsonaro teria relacionado divulgação de exame de covid-19 a processo de impeachment

Está nas mãos do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), a decisão sobre a divulgação ou não dos exames do presidente.

Andreza Matais, Murilo Rodrigues Alves e Rafael Moraes Moura/ BRASÍLIA

12 de maio de 2020 | 17h49

O presidente Jair Bolsonaro é escoltado por agentes da Polícia Federal ao deixar a Câmara dos Deputados. Foto: Dida Sampaio / Estadão

O presidente Jair Bolsonaro teria afirmado, na reunião ministerial de 22 de abril, que não iria divulgar a “porcaria” de um exame de novo coronavírus, sob o argumento de que isso poderia, eventualmente, levar até mesmo a um processo de impeachment. O relato sobre as afirmações do presidente foi feito por pessoas que acompanharam, nesta terça-feira, a exibição do vídeo com o registro daquele encontro. O Estadão entrou na Justiça para obter o resultado dos exames de covid-19, que Bolsonaro se recusa a divulgar.

Ao retornar nesta terça ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro negou vinculação entre a divulgação do exame e qualquer processo contra ele. “Qual o motivo do impeachment por causa de exame de coronavírus?”, perguntou. “Querer cassar um presidente que não tem mácula de corrupção não tem cabimento, meu Deus do céu”.

A reunião do dia 22 foi a última da qual o então ministro da Justiça Sérgio Moro participou. O encontro faz parte do inquérito do Supremo Tribunal Federal que investiga se Bolsonaro interferiu politicamente na Polícia Federal, como acusou Moro.

O Estadão ainda não obteve a íntegra do material, que segue mantido sob sigilo por determinação do decano do STF, ministro Celso de Mello, relator do inquérito que apura as acusações de Moro.

O registro da reunião foi exibido nesta terça, a um restrito grupo de pessoas autorizadas pelo ministro Celso de Mello. A exibição foi realizada no Instituto Nacional de Criminalística da corporação em Brasília, ‘em ato único’ – conforme determinado por Celso – com participação de Moro, integrantes da Advocacia-Geral da União e procuradores e investigadores que acompanham o caso.

O vídeo tem cerca de duas horas e o início da exibição atrasou porque foi necessário fazer um espelhamento da mídia para garantir a integridade dos arquivos originais, afirmam fontes. O procedimento durou mais de duas horas e meia. Todos que acompanharam a exibição tiveram que ficar sem o celular durante a sessão.

Exame. Depois de questionar sucessivas vezes o Palácio do Planalto e o próprio presidente sobre a divulgação do resultado do exame, o Estadão entrou com ação na Justiça na qual aponta “cerceamento à população do acesso à informação de interesse público”, que culmina na “censura à plena liberdade de informação jornalística”.

A Presidência da República se recusou a fornecer os dados ao Estadão via Lei de Acesso à Informação, argumentando que elas “dizem respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, protegidas com restrição de acesso”.

A Justiça Federal de São Paulo e o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) já garantiram ao Estadão o direito de ter acesso aos exames do presidente, mas a Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu barrar a divulgação no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O caso aguarda uma decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

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