Em reunião com ministros, Bolsonaro defende armar população para evitar ditadura

Em reunião com ministros, Bolsonaro defende armar população para evitar ditadura

Jussara Soares, Julia Lindner, Amanda Pupo, Pepita Ortega, Paulo Roberto Netto, Bianca Gomes

22 de maio de 2020 | 17h41

O presidente Jair Bolsonaro fala com a imprensa no Palácio da Alvorada. Foto: Gabriela Biló/Estadão

O presidente Jair Bolsonaro disse na reunião ministerial do dia 22 de abril que quer que a população se arme para “impedir uma ditadura no País”. Ele exigiu que o ministro da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva, e o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, tomassem providências. “Eu quero todo mundo armado! Que o povo armado jamais será escravizado.”

“Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme! Que é a garantia que não vai um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui! Que é fácil impor uma ditadura! Facílimo! Um bosta de um prefeito faz uma bosta de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se estivesse armado, ia para a rua”, disse o presidente.

Na fala, ele não cita explicitamente as medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos para manter a população em casa durante a pandemia do coronavírus. O presidente, porém, faz críticas frequentes à medida.

Bolsonaro diz ainda que, se ele fosse ditador, ia querer desarmar a população.

“E se eu fosse ditador, né? Eu queria desarmar a população, como todos fizeram no passado quando queriam, antes de impor a sua respectiva ditadura. Aí, que é a demonstração nossa, eu peço ao Fernando e ao Moro que, por favor, assinem essa portaria hoje e que eu quero dar um puta de um recado pra esses bosta! Por que que eu tô armando o povo? Porque eu não quero uma ditadura! E não dá pra segurar mais! Não é? Não dá pra segurar mais.”

O presidente disse ainda aos ministros que quem não aceitasse suas bandeiras deveria deixar o governo e esperar o próximo presidente, citando seus adversários nas últimas eleições. “Quem não aceitar a minha, as minhas bandeiras, Damares, família, Deus, Brasil, armamento, liberdade de expressão, livre mercado. Quem não aceitar isso, está no governo errado. Esperem pra vinte e dois, né? O seu Álvaro Dias. Espere o Alckmin. Espere o Haddad. Ou talvez o Lula, né? E vai ser feliz com eles”, disse.

O vídeo da reunião do dia 22 no Palácio do Planalto foi liberado nesta sexta-feira, dia 22, pelo ministro Celso de Mello, relator do inquérito que investiga a acusação de que o presidente Jair Bolsonaro teria interferido politicamente na Polícia Federal (PF) para nomear alguém de sua confiança para a direção da superintendência do órgão no Rio. A gravação é uma das principais provas do caso. Ela foi entregue pelo governo ao STF por ordem do decano do tribunal.

A fala de Bolsonaro é parecida com a feita por um de seus filhos, Jair Renan, durante uma transmissão nas redes sociais também em abril. O estudante defendeu o livre porte de armas e insinua que, se houvesse armamento, a população descumpriria as regras de isolamento. “Para mim todo mundo tinha de ter uma arma mesmo. Duvido se cada um da população tivesse uma arma estaria tendo essa quarentena aí.”

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