‘DJ Guga’ e Suelen relatam a juiz ‘agressões verbais’ de policiais federais na Operação Spoofing

Casal preso por suspeita de ligação com hackers de celulares de mil autoridades depôs nesta terça, 30, e relatou ao magistrado Wallisney Oliveira, em audiência na Justiça Federal em Brasília, que 'enfrentaram constrangimentos'

Breno Pires/BRASÍLIA

30 de julho de 2019 | 11h27

Em audiência na Justiça Federal, nesta terça, 30, o casal Gustavo Henrique Elias Santos e Suelen Priscila Oliveira – presos na Operação Spoofing, que mira invasores de celulares de autoridades – alegou ‘maus tratos’ da Polícia Federal. Eles disseram que foram ‘agredidos verbalmente, enfrentaram constrangimentos e não tiveram direito de telefonar para o advogado’.

Suelen chorou bastante, disse que passou frio e não teve acesso a itens básicos de higiene como absorvente. Gustavo falou que teve de ficar nu e algemado por mais de 10 minutos, pois a Polícia Federal não lhe teria deixado vestir-se em sua residência.

Eles foram presos às 8h da manhã na última terça-feira, 23, em São Paulo como parte da investigação sobre o hackeamento de aparelhos de telecomunicação e do aplicativo Telegram do ministro Sergio Moro e de até 1000 números telefônicos.

Relatório de Informação Financeira, da Polícia Federal, aponta que o casal tinha renda mensal de R$ 5.058, mas em dois períodos, de abril a junho de 2018 e de março a maio de 2019, movimentou R$ 627 mil.

“Me trataram mal, fizeram piadinha comigo, eu nunca fiz nada para ninguém, nunca fiz nada. Deus sabe de todas as coisas. Trataram a gente supermal. Eu fiquei sem papel higiênico e tive de tomar água do chuveiro”, relatou Suelen ao juiz Vallisney Oliveira, da 10.ª Vara da Justiça Federal no Distrito Federal.
Ela afirmou também que não tem envolvimento com a invasão de celulares. “Meu marido e eu não temos nada a ver com isso”, afirmou.

Gustavo Henrique, o ‘DJ Guga’, se disse ‘psicologicamente, muito agredido’. “Chamado de bandido, hacker, e outras coisas desnecessárias para uma investigação”, relatou.

Segundo ele, as agressões vieram de policiais que efetuaram a prisão em São Paulo. “Entraram em casa, já foram agredindo verbalmente. E desde o momento que estouraram a porta, e eu tava dormindo, eu fui agredido verbalmente. E eu estava colaborando”, disse.

Sem alegar agressão física, Gustavo disse que foi algemado durante o transporte até Brasília. E disse que, após transferência a Brasília, ficou sendo alvo de ‘piadinhas’.

“Teve bastante. Que eu ia invadir não sei o quê. No sentido que teve nessa história de hacker, de ‘não olha meu nome se não vai pegar meu nome'”.

Também questionado se teve direito a falar com o advogado, Gustavo afirmou que não.

“Disse que queria falar com advogado, ver o que tava acontecendo. E a primeira coisa que falaram foi: você é o hacker. Não me deram oportunidade de ligar. Só na delegacia quando o meu advogado ligou para lá e pediu para falar comigo, é que permitiram”, disse Gustavo.

Suelen também disse que não deixaram fazer ligação. “A gente preocupado em falar, e não deixaram. Só deixaram mais tarde umas dez horas da noite. E aí eu liguei para o Ari, meu advogado”, disse.

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