Demitido do governo, Wajngarten diz que houve ‘incompetência’ e ‘ineficiência’ do Ministério da Saúde no atraso das vacinas

Demitido do governo, Wajngarten diz que houve ‘incompetência’ e ‘ineficiência’ do Ministério da Saúde no atraso das vacinas

Em entrevista à Veja, ex-secretário de comunicação do governo responsabiliza pasta por fracasso na negociação com Pfizer, fabricante do imunizante

Redação

22 de abril de 2021 | 22h15

O publicitário Fábio Wajngarten, ex-secretário de comunicação da gestão Jair Bolsonaro, afirmou à revista Veja que houve ‘incompetência’ e ‘ineficiência’ do Ministério da Saúde ao lidar com a Pfizer, farmacêutica que ofereceu no ano passado um lote de 70 milhões de vacinas ao governo federal. A proposta não vingou e foi uma das razões que levaram ao atraso no cronograma de vacinação do País.

A entrevista foi publicada pela revista nesta quinta, 22. Wajngarten afirma que, ao saber da proposta da Fizer, articulou reuniões com diretores da farmacêutica, mas que ‘as coisas travavam no Ministério da Saúde’. Ao ser questionado sobre o que explica essa situação, respondeu: “Incompetência e ineficiência. Quando você tem um laboratório americano com cinco escritórios de advocacia apoiando uma negociação que envolve cifras milionárias e do outro lado um time pequeno, tímido, sem experiência, é isso que acontece”.

Wajngarten disse que ‘havia excesso de burocracia e pessoas despreparadas cuidando dessa questão’ no governo, mas negou que estivesse se referindo diretamente ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. “Estou me referindo à equipe que gerenciava o Ministério da Saúde nesse período”, afirmou. “Nunca troquei mais do que um boa-tarde com o ministro. Seria leviano da minha parte falar dele”.

O publicitário e ex-secretário especial de comunicação, Fabio Wajngarten. Foto: Gabriela Biló / Estadão

Pazuello é um dos nomes que devem ser convocados a se explicar na CPI da Covid que será instalada no Senado na próxima terça-feira, 27. O colapso no sistema de saúde de Manaus e a lentidão do avanço da vacinação são uma das linhas de frente de apuração do colegiado, onde o governo não tem maioria.

Os senadores também têm em mãos um duro relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontou uma série de omissões graves de Pazuello no comando da pasta. O documento apontou que o ministério evitou assumir a liderança do combate à covid-19 e abriu mão de responsabilidades. “O governo brasileiro fez sua parte (na crise de Manaus)”, declarou Bolsonaro na transmissão ao vivo desta quinta.

O ex-chefe da Secom, porém, não abordou a desautorização de Bolsonaro quando Pazuello informou que planejava adquirir doses da vacina Coronavac, do Instituto Butantan e ligada a seu adversário político, o governador de São Paulo João Doria (PSDB). Wajngarten também não discutiu as manifestações antivacinas do presidente ao longo da pandemia, mas afirmou que Bolsonaro ‘está totalmente eximido de qualquer responsabilidade nesse sentido’. “Se as coisas não aconteceram, não foi por culpa do Planalto”, afirmou.

Durante a live, o presidente elogiou o trabalho de Pazuello em Manaus. “É sinal que o nosso trabalho em Manaus, o meu trabalho, e o do Pazuello como ministro da Saúde, foi muito bem feito naquela região. Lamentamos a crise que teve lá, mortes, a coisa que chocou a todos nós, mas, infelizmente, foi uma coisa que ninguém esperava”, disse.

Na semana passada, o Ministério Público Federal apresentou ação de improbidade administrativa contra Pazuello e secretários do Ministério da Saúde por ações e omissões da pasta que levaram ao colapso dos hospitais em Manaus.

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